Enquanto equipes de resgate ainda vasculham os escombros em busca de sobreviventes, dezenas de pessoas saquearam comércios danificados pelos terremotos que devastaram a cidade costeira de La Guaira, no norte da Venezuela. Os incidentes ocorreram nesta quinta-feira (25) em meio a uma das piores emergências humanitárias registradas no país nas últimas décadas.
As autoridades locais confirmaram ao menos 188 mortos e 1.500 feridos até o momento. Os tremores, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram com apenas 39 segundos de diferença na noite de quarta-feira (24) e causaram destruição generalizada na costa venezuelana.
Saques em meio à destruição
Aproveitando-se do colapso estrutural, grupos de homens e mulheres invadiram estabelecimentos comerciais afetados para furtar produtos. Em alguns casos, os saqueadores acessaram as lojas através de paredes parcialmente desabadas, enquanto outros atravessaram áreas isoladas por deslizamentos de terra para chegar aos negócios.
Conforme relatado pela imprensa local, entre os itens levados estavam alimentos, medicamentos, bebidas, artigos para o lar e equipamentos eletrônicos de grande porte, como televisores, lavadoras e aparelhos de ar-condicionado. Uma farmácia no setor Caribe de La Guaira teve suas prateleiras praticamente esvaziadas após a entrada em massa de pessoas.
Gabriel Aldana, um jovem de 18 anos, relatou o início de um dos episódios: “De um momento para o outro, começaram a quebrar uma parede onde ficavam guloseimas, refrigerantes e outros produtos”, disse ele ao descrever o cenário nos arredores de um comércio.
Desespero se espalha por Catia La Mar
Cenas semelhantes foram registradas em Catia La Mar, uma das localidades mais castigadas pela tragédia. Moradores foram vistos deixando um estabelecimento de alimentos com sacolas cheias de mercadorias.
Ao mesmo tempo, o desespero toma conta das famílias de desaparecidos, que percorrem hospitais, abrigos e zonas de desabamento atrás de notícias. As redes sociais se tornaram o principal canal para divulgar fotos, nomes e pedidos de socorro. “Foi terrível. Tudo, tudo desabou”, lamentou Yilsmaris Blanco.
“É preciso que venham pessoas ajudar, militares, que venham ajudar!”, clamou Dani Rizo, morador de Catia La Mar, enquanto equipes tentavam localizar uma menina soterrada nos escombros.
Mobilização policial e alerta de réplicas
Os saques forçaram o deslocamento emergencial de forças de segurança. Unidades de choque e outros corpos policiais foram mobilizados em direção a La Guaira pela rodovia que conecta o litoral à capital, Caracas, em uma tentativa de conter a desordem e garantir o controle das áreas afetadas.
As autoridades mantêm o estado de alerta máximo diante de mais de 130 réplicas (tremores secundários) registradas desde os abalos principais. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, o principal do país e localizado na região afetada, sofreu danos severos em sua estrutura e permanece totalmente fora de serviço.
Fonte/Créditos: Gazeta Brasil
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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