Para a cirurgiã plástica Dra. Mariana Zalli, os novos medicamentos para obesidade estão transformando os consultórios de cirurgia plástica. O emagrecimento expressivo traz benefícios importantes para a saúde, mas também pode deixar mudanças corporais que muitas vezes exigem uma abordagem individualizada.
Os medicamentos à base de tirzepatida e semaglutida estão mudando a história do tratamento da obesidade. Pela primeira vez, muitas pessoas conseguem perder quantidades significativas de peso sem recorrer à cirurgia bariátrica. No entanto, junto com os benefícios metabólicos e cardiovasculares, surgiu uma nova demanda nos consultórios de cirurgia plástica: as consequências estéticas do emagrecimento acelerado.
Nos últimos anos, expressões como “Ozempic face” e “Ozempic makeover” ganharam espaço nas redes sociais e na mídia para descrever as mudanças corporais e faciais observadas após uma perda importante de peso. Embora os termos sejam recentes, o fenômeno em si não é novo: sempre que há um emagrecimento significativo, o corpo precisa se adaptar a uma nova composição corporal.
Emagrecer rápido também muda a aparência
A pele é um tecido com grande capacidade de adaptação, mas essa capacidade tem limites. Quando o emagrecimento acontece de forma rápida e expressiva, a pele nem sempre consegue acompanhar a redução do volume corporal.
O resultado pode ser o aparecimento de flacidez em diferentes regiões, especialmente no rosto, no abdômen, nos braços, nas coxas e nas mamas.
No rosto, a perda de gordura pode levar a um aspecto mais envelhecido, com maior evidência de sulcos, perda de contorno e aparência de esvaziamento facial. Foi justamente essa característica que deu origem ao termo “Ozempic face”, embora ela possa ocorrer após qualquer processo de emagrecimento importante, independentemente do método utilizado.
Além da pele, outro fator que tem preocupado os especialistas é a perda de massa muscular. Estudos mostram que parte do peso perdido com os análogos de GLP-1 pode corresponder à redução de massa magra, especialmente quando o tratamento não é acompanhado de uma alimentação adequada e de exercícios de fortalecimento muscular.
Uma nova demanda na cirurgia plástica
O aumento do número de pacientes que perderam muito peso está sendo acompanhado por um crescimento na procura por procedimentos de contorno corporal.
Lifting facial, abdominoplastia, cirurgia das mamas e procedimentos para tratar a flacidez dos braços e das coxas estão entre as demandas mais frequentes.
Mas nem tudo se resume à estética. Em alguns pacientes, o excesso de pele provoca assaduras recorrentes, dificuldade de higiene, desconforto ao se vestir e até limitação para determinadas atividades físicas.
Nesses casos, a cirurgia pode representar uma melhora importante na qualidade de vida e no bem-estar, indo muito além da aparência.
O tratamento, porém, precisa ser individualizado. Nem toda flacidez exige cirurgia, e nem todos os pacientes estão prontos para um procedimento logo após a perda de peso.
Qual é o melhor momento para operar?
Uma das perguntas mais comuns é quando realizar uma cirurgia plástica após o emagrecimento.
De maneira geral, recomenda-se que o peso esteja relativamente estável antes de qualquer procedimento de contorno corporal. Isso porque novas perdas importantes de peso após a cirurgia podem comprometer os resultados estéticos.
Outro ponto importante é o planejamento perioperatório. Os medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida retardam o esvaziamento do estômago, o que tem levado sociedades médicas a discutir recomendações específicas sobre seu uso antes de cirurgias e procedimentos que envolvem anestesia. Por isso, é fundamental que o paciente informe ao cirurgião e ao anestesista todos os medicamentos que está utilizando.
Os novos tratamentos para obesidade estão trazendo benefícios extraordinários para a saúde de milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, estão criando uma nova realidade para a cirurgia plástica: a de ajudar pacientes que conquistaram uma perda de peso significativa a se adaptarem ao novo corpo, de forma segura e individualizada.
Emagrecer pode transformar a saúde e a qualidade de vida. Mas, em alguns casos, a jornada não termina quando a balança atinge o objetivo. Ela entra em uma nova fase, na qual função, bem-estar e autoestima também passam a fazer parte do tratamento.
Dra. Mariana Fernandes Zalli – CRM/SC 18.651 | RQE 18.864
Cirurgiã plástica
Médica formada pela Universidade Regional de Blumenau – FURB
Membro da Brazil Health
Fonte/Créditos: Jovem Pan
Créditos (Imagem de capa): Divulgação
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