O amianto, mineral amplamente utilizado durante décadas na fabricação de telhas, caixas d’água, pisos e componentes automotivos, é considerado cancerígeno por organismos internacionais de saúde.
A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica todas as formas de amianto como substâncias comprovadamente cancerígenas para humanos. Estudos associam a exposição às fibras microscópicas do mineral ao desenvolvimento de câncer de pulmão, mesotelioma (tumor raro que atinge a pleura) e asbestose, uma doença pulmonar crônica.
O principal risco ocorre quando o material é quebrado, cortado, perfurado ou sofre desgaste, liberando partículas invisíveis que podem ser inaladas. Essas fibras se alojam nos pulmões e podem provocar mutações celulares ao longo dos anos. Um dos fatores que mais preocupam especialistas é o longo período de latência: as doenças podem surgir até 40 ou 50 anos após a exposição.
E quem tem caixa d’água ou telha de amianto em casa?
Especialistas explicam que, quando o material está intacto e sem rachaduras, o risco é considerado baixo, pois não há liberação significativa de fibras. Consumir água de uma caixa d’água de amianto em boas condições não é apontado como fator de risco.
O perigo aumenta em situações de corte, demolição, perfuração ou quebra, principalmente sem uso de equipamentos de proteção.
Situação no Brasil
No Brasil, o amianto está proibido. O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional o dispositivo da Lei 9.055/1995 que permitia o uso da variedade crisotila, entendendo que não há nível seguro de exposição à substância.
Antes mesmo da decisão nacional, diversos estados já haviam aprovado leis proibindo o material. Hoje, a extração, comercialização e utilização do amianto são vetadas no país.
Existem alternativas?
Sim. O mercado passou a adotar substitutos considerados mais seguros. No caso de caixas d’água, há opções de polietileno, concreto e metálicas (geralmente de aço carbono). Telhas de fibrocimento atualmente são produzidas sem amianto.
Embora o tema ainda gere debates econômicos e trabalhistas, do ponto de vista científico a resposta é clara: o amianto é classificado como cancerígeno, e a exposição às suas fibras representa risco à saúde.
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