A dona de uma loja de capinhas de celular foi presa nesta quarta-feira (15) no Rio de Janeiro, sob a suspeita de lavar dinheiro para o tráfico de drogas. A prisão faz parte da Operação Hawala, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público estadual (MPRJ), que investiga uma rede criminosa de lavagem de capitais que movimentou mais de R$ 100 milhões em três anos.
O principal alvo da ação foi a empresa Babe Shopee Cell, registrada em São Paulo. Com um capital social declarado de apenas R$ 50 mil, o estabelecimento chegou a movimentar quase R$ 50 milhões em dois anos — recursos que, de acordo com as investigações, vinham majoritariamente das atividades ilícitas da facção Terceiro Comando Puro (TCP). A proprietária do comércio, Bárbara Luzia Souza de Carvalho, foi presa durante a ação.
Sem distinção de facções
O esquema de lavagem de dinheiro funcionava de forma pragmática e não se limitava a apenas um grupo criminoso. As investigações apontam que a rede também ocultava recursos de facções rivais, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Para mascarar a origem do dinheiro, os criminosos utilizavam empresas de fachada que comercializavam eletrônicos roubados e produtos falsificados. Ao todo, dez pessoas foram presas nesta quarta-feira. Entre os detidos estão os irmãos libaneses Reda, Yasser e Kassem Zayoun, apontados como operadores da expansão interestadual e internacional da estrutura financeira do grupo.
Método do “Smurfing” e conexão internacional
As investigações começaram na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que identificou uma loja multimarcas sediada no Complexo do São Carlos (RJ), vinculada à cúpula do TCP. Bárbara Luzia, casada com o dono dessa multimarcas, constava formalmente como proprietária da Babe Cell.
A partir desse ponto, a polícia rastreou dezenas de empresas de fachada espalhadas por diferentes estados. O grupo operava por meio da técnica de smurfing — que consiste em realizar múltiplos depósitos fracionados em dinheiro vivo de pequenos valores para burlar os sistemas de alerta dos órgãos de controle financeiro.
Os agentes também identificaram transações comerciais entre uma empresa do grupo e o egípcio Haytham Ahmad Shukri, investigado pelo governo dos Estados Unidos por suposto apoio à organização terrorista Al-Qaeda.
“São dados que ainda estão crus, que ainda não dá para confirmar esse vínculo”, ponderou o delegado Pedro Brasil, responsável pelo caso.
Balanço da operação
A operação mobilizou equipes policiais para cumprir 37 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu (PR).
Por determinação da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foram bloqueados ativos financeiros e decretada a indisponibilidade de bens dos investigados. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ denunciou 22 pessoas. A denúncia foi aceita integralmente pelo juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, tornando todos os envolvidos réus no processo.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se