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Quinta-feira, 30 de Abril 2026
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Ditador da Coreia do Norte ordena que soldados se matem antes de captura

Kim Jong-un revelou publicamente que soldados norte-coreanos na Ucrânia têm ordens de se matar para evitar captura pelo inimigo

Ditador da Coreia do Norte ordena que soldados se matem antes de captura
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Em um discurso realizado no sábado (26) em Pyongyang, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, reconheceu abertamente que seus militares enviados para combater ao lado da Rússia na guerra da Ucrânia têm ordens explícitas de tirar a própria vida caso estejam prestes a ser capturados pelas forças ucranianas.

A declaração foi feita durante a inauguração de um museu dedicado aos soldados norte-coreanos mortos em combate. O conteúdo do discurso foi divulgado pela KCNA, a agência estatal de notícias do regime.

Autoridades russas prestigiaram a cerimônia

O evento contou com a presença do ministro da Defesa da Rússia, Andrei Belousov, e do presidente da Duma (câmara baixa do parlamento russo), Viacheslav Volodin. O presidente Vladimir Putin não esteve no local, mas fez questão de enviar uma carta expressando “profundo agradecimento” ao regime norte-coreano.

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Palavras de Kim Jong-un elevam suicídio a doutrina de Estado

Durante a cerimônia, Kim Jong-un declarou que os heróis do conflito não se limitam àqueles que tombaram na linha de frente. Suas palavras foram além:

“Não só são heróis aqueles que, sem hesitar, escolheram o caminho da imolação e do suicídio para defender o grande honr, mas também aqueles que caíram enquanto carregavam na frente das batalhas de assalto.”

A fala explicita a lógica da doutrina militar norte-coreana: a captura por forças inimigas é tratada como desonra inaceitável. A morte — seja em combate, seja pelas próprias mãos — é apresentada como ato supremo de lealdade ao Estado.

Granadas como instrumento de autodestruição

Antes mesmo do discurso de Kim, informações obtidas por agências de inteligência e relatos de desertores já apontavam que soldados norte-coreanos vinham utilizando granadas e outros explosivos para se matar, evitando a todo custo a captura. A declaração pública do ditador não apenas confirmou essa prática, como a elevou oficialmente à condição de política de Estado.

A lógica por trás da ordem é clara: a vida do combatente vale menos do que os segredos militares e estratégicos que ele poderia revelar caso fosse feito prisioneiro.

Kim também fez questão de exaltar os sobreviventes que retornaram “com o corpo mutilado”, referindo-se a eles como “guerreiros leais ao partido e patriotas”.

Estimativas de baixas e a ofensiva na região de Kursk

De acordo com estimativas do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, cerca de 6.000 soldados norte-coreanos morreram ou ficaram feridos durante os combates na região de Kursk, no sudoeste da Rússia.

Pyongyang teria enviado entre 14.000 e 15.000 militares para lutar ao lado das forças russas. A Ucrânia havia deflagrado uma ofensiva surpresa nessa região em agosto de 2024, chegando a ocupar aproximadamente 1.000 quilômetros quadrados de território russo. As tropas ucranianas, no entanto, acabaram expulsas da área.

Kim Jong-un classificou a participação de seus soldados no conflito como:

“Uma nova história de amizade com a Rússia escrita com sangue.”

Aliança militar entre Rússia e Coreia do Norte segue se aprofundando

O envio de tropas norte-coreanas está amparado pelo Tratado de Associação Estratégica Integral, firmado por Kim e Putin em 2024. O acordo prevê uma cláusula de defesa mútua entre os dois países.

Como contrapartida pelos milhares de soldados e pelas dezenas de milhares de contêineres de munição fornecidos, a Coreia do Norte recebeu auxílio econômico e tecnologia militar da Rússia, conforme avaliações da inteligência sul-coreana.

Além disso, Kim e Belousov aproveitaram o encontro para discutir os termos de um novo acordo de cooperação militar cobrindo o período de 2027 a 2031. O movimento indica que a aliança entre Moscou e Pyongyang deve se manter e se fortalecer mesmo após o eventual encerramento da guerra na Ucrânia.

Fonte/Créditos: Contra Fatos

Créditos (Imagem de capa): Kim Jong-un

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