A Polícia Federal (PF) afirmou que a sanção aplicada pelos Estados Unidos ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada obrigou a corporação a antecipar a deflagração da Operação Exchange, realizada na manhã desta sexta-feira (3). Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a mudança no cronograma prejudicou a investigação e comprometeu a tentativa de prender o principal alvo da ação.
Em entrevista coletiva na sede da Polícia Federal, em Brasília, Andrei explicou que a divulgação da sanção pela imprensa, na última quarta-feira (2), alterou o planejamento da operação.
"Alterou a nossa ação. Houve uma antecipação. Mas, de fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e nós teríamos localizado essa pessoa [Shimada], mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação", afirmou.
De acordo com o diretor-geral, tanto a investigação da PF quanto a representação encaminhada à Justiça Federal são anteriores ao decreto do governo dos Estados Unidos que classificou duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
"Já estavam em curso. Tem uma investigação nos Estados Unidos que também já estava em andamento, assim como essa nossa da PF. Em razão da publicação, tivemos que adiantar e deflagrar a operação hoje", disse.
O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF, Dennis Cali, reforçou que os policiais ainda realizavam diligências para confirmar informações e localizar Shimada quando a sanção foi divulgada.
Como consequência da antecipação da operação, Victor Henrique de Oliveira Shimada não foi encontrado nos endereços ligados a ele e passou a ser considerado foragido da Justiça.
Além dele, outras seis pessoas foram presas durante a operação, entre elas Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, de 34 anos, também alvo das sanções impostas pelos Estados Unidos.
Investigação começou antes das sanções
Andrei Rodrigues ressaltou que Shimada já era investigado pela Polícia Federal antes da decisão americana e chegou a ser preso preventivamente em uma operação iniciada em 2024, sendo posteriormente condenado em 2025.
Segundo o diretor, o caso não possui qualquer relação com a classificação do PCC como organização terrorista pelos Estados Unidos.
"Este cidadão citado já foi preso pela PF preventivamente em uma operação iniciada em 2024, e foi condenado em 2025 fruto dessa operação. Esse caso concreto não guarda relação com qualquer atribuição que fizeram ao sujeito de facção. Inclusive, a representação que fizemos na Justiça Federal foi protocolada antes sequer de ser atribuída essa classificação às facções. Então não tem relação nenhuma com a sanção, o que há é o processo", explicou.
Ainda conforme a PF, Shimada atuava como operador financeiro da organização criminosa e movimentava recursos, inclusive nos Estados Unidos.
Operação Exchange
A Operação Exchange foi deflagrada para desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A investigação aponta que o grupo utilizava um sofisticado esquema para movimentar recursos por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de grandes quantias em dinheiro, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas.
Mais de 50 policiais federais cumpriram 13 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão temporária nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. As ordens foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo.
A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões.
Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelo governo norte-americano como parente de Shimada e responsável por atuar como sua "secretária" e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro.
Já Victor Henrique de Oliveira Shimada, proprietário de empresas sancionadas pelos Estados Unidos, não foi localizado durante a operação e segue sendo procurado pela Justiça.
As informações são do Metrópoles
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