O que define um pai? A certidão de nascimento? A biologia? O convívio? No Dia dos Pais, celebrado neste domingo (10/8), conversamos com três homens que mostram que o amor e o compromisso com a criação de um filho podem nascer de diferentes caminhos — alguns inesperados, outros cheios de enfrentamento — mas todos profundamente enraizados no afeto.
Cassio, Cleyton e Rodrigo vivem a paternidade em sua essência. É um vínculo que não se explica, mesmo que, para isso, tenham que desafiar expectativas sociais em nome do amor. São pais que aprenderam, improvisaram e resistiram. Homens que escolheram cuidar, educar e transformar mesmo quando as adversidades pareciam prevalecer.
Siomar e Cassio: o amor que atravessou fronteiras para virar família
Empresários e parceiros de vida, Cassio de Freitas e Siomar Parreira sempre souberam que queriam ser pais. Desde o início do relacionamento, esse desejo esteve presente. “A vontade de formar uma família sempre foi muito clara entre nós dois”, conta Cassio.
Sabiam, porém, que o caminho não seria simples. Após muita pesquisa, decidiram fazer o processo de barriga de aluguel nos Estados Unidos, onde há maior estrutura legal para esse tipo de procedimento, especialmente no estado da Califórnia.
“Queríamos que os dois tivessem material genético no processo, e a barriga de aluguel foi o melhor caminho. Mas fizemos tudo sozinhos, sem consultoria, e isso tornou tudo mais desafiador”, explicou.
O processo foi cheio de surpresas e sustos. “A gente não sabia o que viria depois, era tudo meio no escuro. De repente, chega um e-mail dizendo que, no dia seguinte, precisávamos depositar uma grande quantia, e a gente nem sabia que essa etapa existia.”
A escolha da barriga de aluguel também exigiu conexão emocional. “Não é só exame médico. A pessoa precisa ter um estilo de vida compatível com o que você espera. No nosso caso, ela era calma, saudável, positiva. Mas até encontrá-la foram oito tentativas frustradas.”
Hoje, com os filhos nos braços, Cassio tem certeza de que faria tudo novamente. “Muita gente espera o momento perfeito — a condição financeira ideal, estar 100% pronto emocionalmente. Se esse é seu sonho, você precisa começar. Cada passo vale a pena.”
A paternidade mudou completamente sua visão de mundo. “Você começa a pensar o futuro pelos olhos dos seus filhos. Tudo passa a ser planejado por e para eles. São telas em branco que, agora, temos a missão de colorir. Agora, eu entendo coisas que meus pais diziam e que não faziam sentido antes.” E completa: “É o maior amor do mundo. A melhor coisa que nos aconteceu.”

Cleyton: o pai que viveu a gestação e a amamentação
Aos 30 anos, o influenciador digital Cleyton Bitencourt é pai solo de dois filhos. Mas seu caminho até a paternidade foi longo e atravessado por muitos enfrentamentos. “Com uns 19 ou 20 anos, eu me assumi homem trans. Foi um processo muito difícil. Tinha medo, principalmente da rejeição da minha família — e foi exatamente isso que aconteceu.”
Durante muito tempo, Cleyton precisou lidar com o afastamento familiar e com a solidão. Mesmo antes de se entender como homem trans, já havia dentro dele um desejo muito claro: ser pai. E mais do que isso — gestar.
“Depois da transição de gênero, esse sonho continuava comigo. Eu tinha muito medo. Do preconceito, da falta de informação, de não ter acesso adequado à saúde. Por ser retificado, eu precisava de cuidados considerados ‘femininos’, como o pré-natal, e isso gerava muita insegurança.”
Foi no casamento com uma mulher trans que a possibilidade se tornou realidade. “Conversei com a mãe dos meus filhos e, com o tempo, ela também quis viver a maternidade. Assim tivemos nossa primeira filha, a Alex.”
Fonte/Créditos: Metrópoles
Créditos (Imagem de capa): Divulgação,imagem ilustrativa


