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Sexta-feira, 01 de Maio 2026
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Desesperados de fome, pais pinguins alimentam filhos com pedras na África

Menos de 10 mil pares reprodutores vivem na natureza; espécie sofreu colapso de 80% em 30 anos

Desesperados de fome, pais pinguins alimentam filhos com pedras na África
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Sob o calor de uma manhã de verão fresca nas margens de Betty’s Bay, na África do Sul, uma colônia de pinguins permanece com suas barrigas brancas voltadas para o sol.

Estes são pinguins-africanos e, ao contrário de seus primos que vivem na Antártica, essa espécie menor prospera no calor e vive ao longo das costas mais temperadas da África do Sul e da Namíbia.

Essas aves fofas e carismáticas atraem dezenas de milhares de turistas ao sul da África todos os anos — mas estão desaparecendo rapidamente dessas costas. Em 2024, o pinguim-africano foi classificado como criticamente ameaçado de extinção pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). Hoje, acredita-se que existam menos de 10.000 pares reprodutores na natureza.

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A SANCCOB (Fundação da África Austral para a Conservação de Aves Costeiras) é um dos grupos de conservação de aves marinhas mais antigos da região, focado na restauração das populações por meio de missões de resgate, esforços de reabilitação e pesquisa. Fundada em 1968, a organização é reconhecida por seu trabalho na proteção dos pinguins-africanos.

“Estamos vendo essas aves todos os dias chegando (à SANCCOB) com traumas bastante graves, com problemas de emagrecimento; elas estão enfrentando muita dificuldade na natureza”, disse Jade Sookhoo, gerente de reabilitação da SANCCOB.

Nos últimos 30 anos, os pinguins-africanos sofreram um colapso populacional estimado em 80%, impulsionado pela poluição, destruição de habitat e escassez de alimentos — sendo que um estudo recente apontou a fome como uma das principais causas de morte.

O estudo — um esforço conjunto entre o Departamento de Florestas, Pesca e Meio Ambiente da África do Sul e a Universidade de Exeter, no Reino Unido — constatou que mais de 60.000 aves morreram por desnutrição entre 2004 e 2011 nas ilhas Robben e Dassen — duas das áreas de reprodução mais importantes da África do Sul.

Estoques de alimento em declínio

Os pinguins-africanos dependem de pequenos peixes que nadam em cardumes, como sardinhas e anchovas, como principal fonte de alimento. Mas as mudanças climáticas e a pesca comercial intensiva reduziram drasticamente os estoques de peixes.

Ao longo da costa do sul da África, as sardinhas estão se tornando cada vez mais escassas, forçando os pinguins a viajar muito mais para o alto-mar em busca de alimento — uma mudança que está cobrando um preço alto tanto da sobrevivência dos adultos quanto do sustento de seus filhotes.

O estudo também revelou que, por quase duas décadas, o número de sardinhas permaneceu cronicamente baixo, em torno de 25% do que já foi — sinalizando um colapso de longo prazo na região oeste do sul da África.

E ao longo da costa da Namíbia, antes um reduto dos pinguins-africanos, o aumento da temperatura do oceano, mudanças na salinidade e a sobrepesca fizeram com que a população de sardinhas praticamente desaparecesse.

“A pesca é um grande negócio, e não queremos que ela pare completamente; é uma parte vital da nossa economia”, disse Robyn Fraser-Knowles, da SANCCOB.

Embora nenhum fator isolado seja o único responsável pelo declínio dos estoques de peixes, ela alerta: “se não começarmos a pescar menos, vamos acabar com um ecossistema colapsado”.

Fome: uma realidade alarmante

Em suas instalações de reabilitação de nível mundial, a SANCCOB oferece atendimento médico e suporte 24 horas por dia a pinguins e outras aves marinhas que sofrem com ferimentos, contaminação por óleo, doenças e outros problemas.

A SANCCOB recebeu 948 pinguins sob seus cuidados no ano passado, e eles geralmente chegavam “magros, no melhor dos casos”, disse Fraser-Knowles. Um pinguim adulto admitido recentemente pesava apenas 1,9 kg, menos da metade do peso ideal, que é cerca de 4 kg.

“Nos corpos que aparecem nas praias e nos que tratamos, conseguimos ver essa tendência muito, muito forte”, disse Fraser-Knowles. “Você não encontra mais pinguins na natureza com o peso corporal ideal.”

O pesquisador da SANCCOB, Albert Snyman, mantém uma pequena pilha de pedras em seu laboratório como um lembrete contundente de quão grave a crise de fome se tornou.

Elas foram encontradas nos estômagos de filhotes de pinguins admitidos na SANCCOB que depois morreram, ajudando a explicar por que não conseguiram se desenvolver — as pedras bloquearam a capacidade de absorver nutrientes do alimento que recebiam da equipe.

Os pais estavam tão desesperados para alimentar os filhotes que acabavam dando pedras para eles”, disse FrUm filhote é alimentado com sardinhas no centro de reabilitação da SANCCOB, como parte de seu projeto de fortalecimento populacional para ajudar a resgatar, criar e, por fim, libertar jovens pinguins africanos abandonados • CNNaser-Knowles.

Fonte/Créditos: CNN

Créditos (Imagem de capa): Stéphane de Sakutin/AFP/Getty Images

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