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Quarta-feira, 22 de Julho 2026
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Chicotadas, ecstasy e contradições: o que se sabe sobre o caso Michele

Capitã da PM foi levada morta pelo marido ao hospital; investigação aponta múltiplas lesões, histórico de relacionamento abusivo e suspeita

Chicotadas, ecstasy e contradições: o que se sabe sobre o caso Michele
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 A morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo, de 41 anos, provocou forte comoção em Belo Horizonte e ganhou repercussão nacional. A oficial chegou sem vida ao Hospital Odilon Behrens, na noite de segunda-feira (20/7), levada pelo próprio marido, o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37, que acabou preso em flagrante por feminicídio.

Desde então, a investigação conduzida pela Polícia Civil revelou uma série de elementos que colocam em dúvida a versão apresentada pelo militar e apontam para um relacionamento marcado por violência psicológica, controle e humilhações, segundo familiares da vítima.

Quem era a capitã Michele

Michele Leão Azevedo era capitã da Polícia Militar de Minas Gerais. Respeitada na corporação, ela era casada há cerca de oito anos com o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira.

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Ela construiu trajetória de sucesso na corporação, com vários cursos na área de defesa e segurança pública. Concluiu o curso de formação complementar de Multiplicador de Direitos Humanos, oferecido pela PMMG. Também fez especialização em docência do Ensino Superior pelo Instituto Federal do Sul de Minas (IFSULDEMINAS).

Segundo depoimento da mãe da vítima à Polícia Civil, Michele vivia um relacionamento considerado abusivo.

A progenitora afirmou que a filha era constantemente humilhada pelo marido, que exercia controle sobre sua vida e fazia manipulação emocional. Ainda conforme o relato, Michele tentava colocar fim ao relacionamento, mas o sargento não aceitava a separação.

Em uma das ocasiões, ele teria permanecido em frente à casa da mãe da capitã após discussão entre o casal.

No dia da morte, Michele tinha um encontro marcado com a mãe. Ela chegou a atender uma ligação falando baixo e dizendo que não poderia comparecer. Depois disso, deixou de responder às mensagens da mãe.

O perfil do suspeito

O principal suspeito é o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, integrante da Polícia Militar de Minas Gerais. Ele ingressou na PMMG em 2015 e atualmente estava lotado no 1º Batalhão da corporação.

Além da carreira na polícia, Eduardo ocupou o cargo de diretor jurídico da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra/PMBM).

3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, da PMMG

Após a divulgação do caso, a entidade informou que ele havia sido desligado anteriormente por questões disciplinares após infringir regras internas, em junho de 2025.

Eduardo também possui dois boletins de ocorrência por violência doméstica registrados em seu nome, nos anos de 2014 e 2016, sem relação com a capitã Michele.

Após a prisão, Eduardo foi autuado em flagrante por feminicídio consumado e também passou a responder por tráfico de drogas, após ser flagrado tentando descartar comprimidos de ecstasy dentro do hospital.

A versão apresentada pelo sargento

Em depoimento, Eduardo contou que o casal promoveu uma festa na residência na noite de domingo (19/7). Segundo ele, após a saída dos convidados, os dois consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy. O sargento afirmou ainda que ele e Michele mantinham relações sexuais consensuais envolvendo práticas de dominação e agressões físicas, que teriam sido filmadas pelo casal.

De acordo com a sua versão, por volta do meio-dia, Michele caiu de uma escada da residência, sofreu um corte profundo na cabeça e passou a reclamar de tonturas. Ele disse que limpou os ferimentos, conteve o sangramento e que a esposa recusou atendimento médico por receio de sofrer consequências disciplinares em razão do consumo de drogas.

Ainda segundo o militar, os dois dormiram e, apenas por volta das 21h, ele percebeu que a esposa não respondia mais aos estímulos. Foi nesse momento que decidiu levá-la ao Hospital Odilon Behrens.

O que chamou a atenção da polícia

A versão apresentada pelo sargento passou a ser questionada logo na chegada ao hospital. Michele já estava morta quando deu entrada na unidade. Os primeiros exames indicaram que ela havia falecido entre quatro e seis horas antes do atendimento.

Além do traumatismo craniano, os médicos identificaram diversas lesões espalhadas pelo corpo, incluindo marcas compatíveis com chicotadas e um ferimento considerado grave na face.

Durante coletiva de imprensa, a Polícia Civil informou que a gravidade e a quantidade das lesões foram determinantes para a prisão em flagrante do militar.

Segundo o delegado Saulo Castro, havia uma “lesão muito contundente na face” da vítima, além de outras marcas que indicavam violência incompatível, em um primeiro momento, com a versão apresentada pelo suspeito.

Ecstasy encontrado no hospital

Outro fato que reforçou as suspeitas ocorreu durante o atendimento policial. Enquanto estava no Hospital Odilon Behrens, Eduardo pediu para ir ao banheiro. No local, ele foi flagrado por um policial militar descartando uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira.

A droga foi apreendida, e o militar também passou a responder por tráfico de drogas.

Imagens mostram últimos momentos

Câmeras de segurança do prédio registraram o momento em que Eduardo carrega Michele desacordada até um veículo antes de seguir para o hospital. As imagens passaram a integrar o inquérito e serão analisadas juntamente com os laudos periciais produzidos pela Polícia Civil.

A perícia também foi realizada na residência do casal e no carro utilizado para transportar a vítima.

Relacionamento abusivo será investigado

Além da dinâmica da morte, os investigadores apuram o histórico do relacionamento entre o casal. Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil relataram um casamento marcado por idas e vindas, bem como por episódios de violência psicológica e moral. Esses relatos reforçam as informações prestadas pela mãe da capitã, que descreveu um relacionamento de controle e humilhações constantes.

A Polícia Civil busca agora esclarecer se havia registros anteriores de violência doméstica e se existiam outros episódios de agressão.

Investigação continua

O caso segue sob investigação na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. Os laudos da perícia serão fundamentais para esclarecer a causa da morte, a origem das lesões e a dinâmica dos fatos. Até o momento, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira permanece preso.

A defesa informou que aguarda a conclusão das investigações e dos exames periciais antes de se manifestar sobre o mérito das acusações.

Enquanto isso, a morte da capitã Michele Leão Azevedo é tratada pela Polícia Civil como feminicídio consumado, e o inquérito deve reunir depoimentos, exames técnicos, imagens de segurança e provas digitais para esclarecer todas as circunstâncias do crime.

Fonte/Créditos: Metrópoles

Créditos (Imagem de capa): Reprodução/Redes sociais

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