O verão terminou, mas as chuvas não foram suficientes para aliviar a seca no Sistema Cantareira, principal reservatório que abastece a capital paulista. A estação terminou com o reservatório no pior nível após o período chuvoso dos últimos dez anos.
Hoje, não há nem metade do reservatório cheio para enfrentar o período seco que vai até setembro. Isso pressiona a cidade e deve manter restrições.
O sistema vem enfrentando uma seca constante desde o ano passado. No início do ano, projeções do Cemaden indicavam que, se a chuva ficasse dentro da média no verão, o sistema atingiria 40% de sua capacidade. A previsão se concretizou e, atualmente, o sistema opera com 44% de volume útil.
Ou seja, o reservatório termina o verão sem chegar nem mesmo à metade, mesmo a cidade tendo enfrentado restrições, com bilhões de litros a menos na rede. Agora, o grande desafio é enfrentar o período seco, que se inicia oficialmente em abril, utilizando o estoque atual para atender a população e sem expectativa de novas recargas consideráveis até setembro.
🔴 Para ter dimensão do problema: o estado de São Paulo é abastecido por um conjunto que reúne sete reservatórios interligados, entre eles o Sistema Cantareira. Toda essa água abastece quase 8 milhões de pessoas.
Se o padrão recente de escassez se repetir, o sistema pode cair para cerca de 25% até setembro. Esse contexto forma um cenário de crise no abastecimento até o fim do ano, o que pode levar a restrições ainda maiores na distribuição de água para a população.
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Para estimar o que pode acontecer com o sistema Cantareira nos próximos meses, pesquisadores do Cemaden fizeram uma análise considerando possíveis cenários de chuva em São Paulo.
Eles levam em consideração a média — ou seja, o que historicamente chove nessa região. Esse número é resultado de mais de uma década de observações. Depois, analisaram o que aconteceria em cenários em que a chuva fosse 25% ou 50% inferior ao esperado.
🔴 Vale dizer que o verão terminou com chuvas 15% abaixo da média, e os índices abaixo do esperado vêm se repetindo desde o ano passado.
O que acontece com a água na sua torneira?
Desde a crise hídrica, foi estabelecida uma norma para gerir possíveis crises — como a atual. O plano prevê que, conforme o volume de água cai, a Sabesp precisa reduzir o volume de água distribuída.
Agora, o sistema está em situação de alerta. Com isso, só podem entrar na rede, para chegar às torneiras, 27 metros cúbicos por segundo.
Veja como isso funciona na prática:
- Em condições normais, com retirada de 33 m³/s, o sistema distribui cerca de 2,85 bilhões de litros de água por dia.
- Hoje, operando com 27 m³/s, esse volume cai para cerca de 2,33 bilhões de litros diários.
Na prática, isso significa mais de 500 milhões de litros a menos por dia chegando à população.
E, se chegarmos ao cenário previsto para setembro, é possível que o Cantareira volte à faixa de restrição, que permite um volume ainda menor: 23 metros cúbicos por segundo. Isso significa que, em um dia, o sistema precisaria operar com 1,9 bilhão de litros para atender a população — quase 1 bilhão de litros a menos em um único dia.
🔴 Na prática, essa medida faz com que áreas mais altas e periféricas da cidade sofram com o desabastecimento temporário, um cenário que já é realidade em diversas regiões da Grande São Paulo.
Para a pesquisadora Adriana Cuartas, do Cemaden, o quadro aponta para um problema mais profundo do que um ciclo isolado de seca.
A avaliação é de que o sistema já opera sob uma condição próxima de “seca permanente”, o que exige mudanças na forma de gestão e consumo de água. Sem isso, a dependência exclusiva das chuvas tende a tornar o abastecimento cada vez mais vulnerável.
Um dos pontos é a eficiência da rede de distribuição. Segundo o Instituto Trata Brasil, o estado de São Paulo apresenta um índice de perdas na distribuição de 32,66%. Isso significa que quase um terço da água tratada se perde antes de chegar ao consumidor.
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): Divulgação
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