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Quinta-feira, 04 de Junho 2026
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Calendário dos “padres sexy” é sucesso em Roma há mais de 20 anos, mas esconde uma curiosidade inesperada

Publicação comercializada há mais de 20 anos em Roma virou alvo de debate após revelação de que muitos dos homens retratados nunca fizeram parte do clero

Calendário dos “padres sexy” é sucesso em Roma há mais de 20 anos, mas esconde uma curiosidade inesperada
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Há mais de duas décadas, um dos souvenirs mais curiosos vendidos nas proximidades do Vaticano chama a atenção de turistas de todo o mundo. O chamado Calendario Romano, popularmente conhecido como o calendário dos “padres sexy”, reúne fotografias de jovens vestidos com trajes clericais e se tornou um fenômeno cultural em Roma.

No entanto, uma reportagem publicada nesta semana pelo jornal italiano La Repubblica revelou um detalhe que muitos compradores desconheciam: boa parte dos homens retratados nas páginas do calendário não é formada por padres de verdade.

Um dos rostos mais conhecidos da publicação é Giovanni Galizia, que aparece na capa de diversas edições desde o início dos anos 2000. Atualmente com 39 anos, ele trabalha como comissário de bordo em uma companhia aérea espanhola e contou que tinha apenas 17 anos quando participou da sessão de fotos.

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O calendário 'Calendario Romano', com uma foto de Giovanni Galizia, que não é padre, está à venda em uma loja de souvenirs em Roma, na quarta-feira, 20 de maio de 2026. — Foto: AP/Alessandra Tarantino
O calendário 'Calendario Romano', com uma foto de Giovanni Galizia, que não é padre, está à venda em uma loja de souvenirs em Roma, na quarta-feira, 20 de maio de 2026. — Foto: AP/Alessandra Tarantino

“Era o sorriso de um garoto envergonhado, porque eu via todos os meus amigos na minha frente gargalhando porque eu estava vestido como um padre”, relatou em entrevista à agência Associated Press.

Calendário virou tradição entre turistas

Produzido pelo fotógrafo italiano Piero Pazzi, o Calendario Romano é vendido em lojas de lembranças próximas ao Vaticano e em diversos pontos turísticos da capital italiana. Cada edição apresenta 12 retratos em preto e branco de homens usando vestimentas associadas ao clero católico.

Segundo Pazzi, algumas fotografias são reutilizadas há anos e apenas parte dos modelos é composta por sacerdotes reais. O fotógrafo afirmou que pelo menos um terço dos homens presentes na edição de 2027 pertence efetivamente ao clero, mas não revelou quantos dos demais são apenas modelos.

O calendário custa cerca de 8 euros, aproximadamente R$ 50, e vende milhares de exemplares todos os anos.

Entre o sagrado e o profano

Para Galizia, a proposta sempre teve um caráter artístico e nunca pretendeu enganar o público.

Ele argumenta que as fotografias exploram o contraste entre a imagem tradicional da Igreja e a juventude dos modelos, criando uma espécie de provocação visual.

“Existe uma certa provocação na relação entre o sagrado e o profano”, afirmou.

O ex-modelo também disse não compreender por que muitas pessoas classificam as imagens como sensuais.

“Hoje em dia existe uma tendência de associar beleza à sensualidade. Mas, se me consideram sexy usando um colarinho clerical, encaro isso como um elogio”, brincou.

Sem ligação com o Vaticano

Apesar da popularidade do calendário, a publicação não possui qualquer vínculo oficial com o Vaticano ou com a Igreja Católica. O próprio fotógrafo destaca que o projeto é independente e apenas inclui algumas informações sobre a Santa Sé em suas páginas.

Questionado sobre a polêmica, o Vaticano optou por não comentar o assunto.

Enquanto isso, o calendário continua atraindo turistas curiosos e segue como uma das lembranças mais inusitadas vendidas nas ruas de Roma.

Popular até entre religiosos

A fama da publicação ultrapassou as fronteiras da Itália. Um padre sul-coreano ouvido pela Associated Press afirmou que o calendário é bastante conhecido entre jovens de seu país.

Segundo ele, a publicação ajuda a aproximar a imagem dos sacerdotes do público mais jovem.

“Muitas vezes eles acham que os padres são rígidos e distantes. Quando veem esse calendário, percebem que os padres também podem ser divertidos”, afirmou.

Mesmo após a revelação de que muitos dos modelos não são religiosos, o tradicional Calendario Romano continua despertando curiosidade e alimentando debates sobre os limites entre arte, religião e cultura popular.

Créditos (Imagem de capa): Giovanni Galizia posa com o calendário 'Calendario Romano', que há duas décadas é um sucesso de vendas nas lojas de souvenirs de Roma, em sua casa em Verona, Itália, na quarta-feira, 20 de maio de 2026. — Foto: AP/Luca Bruno

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