Uma investigação conduzida por autoridades italianas sobre o desaparecimento de quase 2.500 componentes aeronáuticos militares passou a incluir a hipótese de que parte do material possa ter sido desviada para o exterior, inclusive para o Brasil.
Entre os equipamentos sumidos estão sistemas aviônicos destinados aos caças AMX, aeronave que hoje opera apenas na Força Aérea Brasileira (FAB), além de componentes para os jatos Panavia Tornado e para o turboélice de transporte Lockheed Martin C-130 Hercules.
Os itens, avaliados em cerca de €17 milhões (R$ 103 milhões, desapareceram de um depósito da Aeronáutica Italiana em Brindisi, no sudeste do país. A apuração envolve promotores civis e a promotoria militar, que investigam suspeitas de peculato. Entre os investigados estariam gestores logísticos da força aérea e representantes da empresa terceirizada responsável pela gestão do material armazenado.
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Embora a investigação abranja três tipos de aeronaves, o AMX ganha atenção especial pelo fato de que a Itália já retirou o modelo de serviço, restando apenas o Brasil como operador ativo. O jato de ataque leve foi desenvolvido em parceria entre a Embraer e as italianas Aeritalia e Aermacchi (empresas que posteriormente passaram a integrar a Leonardo) e entrou em operação nas décadas de 1980 e 1990 nas forças aéreas italiana e brasileira.
Panavia Tornado ECR (Ronnie Macdonald/CC)
Segundo a imprensa italiana, as peças desaparecidas incluem módulos eletrônicos e sistemas críticos, e não simples itens de reposição. Componentes dessa natureza costumam ser controlados por registros militares detalhados, códigos de inventário e protocolos da OTAN, o que levanta questionamentos sobre como poderiam ter sido retirados dos registros oficiais antes de desaparecer fisicamente dos armazéns.
Um dos pontos centrais da apuração é a emissão de certificados de “fora de uso” para determinados componentes após o seu desaparecimento. As autoridades avaliam se peças ainda operacionais podem ter sido declaradas inutilizáveis posteriormente, eliminando sua rastreabilidade formal.
A linha de investigação que menciona o Brasil considera a possibilidade de que componentes certificados possam ter sido reintroduzidos em circuitos internacionais de demanda por peças de aeronaves fora de produção. No caso do AMX, cuja fabricação foi encerrada há anos, a obtenção de componentes originais tornou-se mais restrita.
A Justiça italiana determinou a realização de perícia técnica para avaliar o estado real dos componentes desaparecidos e verificar se estavam destinados ao descarte ou se permaneciam utilizáveis. A Aeronáutica Italiana informou ter instaurado comissão interna para acompanhar o caso. Até o momento, não há confirmação oficial de que qualquer peça tenha sido enviada ao Brasil.
Fonte: Airway
Fonte: Airway
Créditos (Imagem de capa): Um A-1M, versão modernizada do AMX (FAB)
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