Apuração de David Ágape revela ligações indiretas com casos envolvendo facções criminosas e questiona critérios dentro da Polícia Federal
Uma nova investigação do jornalista David Ágape, do Twitter Files Brasil, trouxe à tona um ponto sensível envolvendo o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho: o histórico de pessoas próximas ao agente em casos ligados ao crime organizado.
Após revelar a atuação de Marcelo Ivo no episódio que levou à detenção de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, David Ágape avançou na apuração e passou a analisar o entorno familiar do delegado — e o que encontrou levanta questionamentos dentro da própria corporação.
Irmã ligada a investigação sobre o PCC
Segundo a apuração de David Ágape, a irmã de Marcelo Ivo, a advogada Gisele Cristina de Carvalho, foi alvo de um processo que investigava uma estrutura vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação teve início em 2006 e apontava a atuação de uma organização envolvida com tráfico de drogas, comunicação entre presos e operações financeiras ilegais.
De acordo com os autos citados por David Ágape, Gisele teria sido mencionada como alguém que mantinha contato com integrantes da organização, incluindo visitas a lideranças do grupo no sistema prisional.
O processo se estendeu por anos e terminou em 2023 com absolvição por insuficiência de provas.
O próprio jornalista destaca um ponto central: a decisão não declarou inocência, mas sim a ausência de provas suficientes para condenação — diferença considerada relevante dentro da análise jurídica.
Episódio na fronteira levanta novos questionamentos
Outro trecho da investigação de David Ágape relata um episódio ocorrido em 2010, quando Gisele foi abordada por autoridades paraguaias em uma operação antidrogas na região de fronteira.
Ela estava acompanhada de outras pessoas, incluindo uma advogada que, segundo registros citados na apuração, possuía ligação com casos envolvendo lideranças do PCC.
Na ocasião, Gisele foi liberada por não haver mandado de prisão contra ela.
Ainda assim, como destaca David Ágape, o contexto da abordagem e os nomes envolvidos chamaram atenção dentro da investigação.
Ligação com outra advogada presa em operação da PF
A apuração do jornalista também aponta que Gisele se tornou sócia, anos depois, de uma advogada que havia sido presa pela própria Polícia Federal em uma operação contra o tráfico de drogas ligado ao Comando Vermelho.
O caso também não resultou em condenação definitiva, sendo encerrado posteriormente por questões processuais.
Para David Ágape, o ponto relevante não são apenas os desfechos judiciais, mas o conjunto de conexões ao longo do tempo.
“Ponto cego” dentro da Polícia Federal
Um dos principais questionamentos levantados por David Ágape diz respeito à forma como a Polícia Federal avalia riscos institucionais.
Segundo fontes ouvidas pelo jornalista, vínculos familiares com pessoas envolvidas em investigações criminais costumam ser considerados fatores de atenção dentro de órgãos de segurança.
Mesmo assim, como aponta a reportagem, o histórico não impediu a ascensão de Marcelo Ivo na corporação, que ocupou cargos estratégicos ao longo dos anos — incluindo posições sensíveis no Brasil e no exterior.
Carreira em ascensão e ausência de barreiras
A investigação detalha que, durante o período em que esses episódios envolvendo sua irmã já eram conhecidos, Marcelo Ivo assumiu funções relevantes dentro da PF.
Entre elas, a chefia de unidades importantes, comando de áreas de investigação e, posteriormente, o posto de ligação com autoridades americanas em Miami.
Para David Ágape, a ausência de questionamentos públicos ou institucionais sobre esse contexto levanta dúvidas sobre os critérios adotados nessas nomeações.
Mais perguntas do que respostas
A reportagem não acusa diretamente o delegado de qualquer envolvimento em irregularidades.
No entanto, como reforça David Ágape, o conjunto de informações evidencia lacunas que, até o momento, não foram plenamente esclarecidas.
O caso, segundo o jornalista, levanta um debate mais amplo sobre transparência, análise de risco e responsabilidade em cargos estratégicos dentro de instituições de Estado.
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