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Sexta-feira, 26 de Junho 2026
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Assustador: o Círculo de Fogo do Pacífico e a força dos terremotos que atingem diferentes países

Região concentra cerca de 90% dos terremotos do planeta e 75% dos vulcões ativos; Venezuela, atingida por dois fortes tremores, fica fora da área mais ativa do Pacífico, mas está próxima a falhas entre placas tectônicas

Assustador: o Círculo de Fogo do Pacífico e a força dos terremotos que atingem diferentes países
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A sequência de terremotos registrada nas últimas horas em diferentes regiões do planeta — incluindo Venezuela, Japão, Rússia e Estados Unidos — reacendeu o interesse por uma das áreas geologicamente mais instáveis do mundo: o Círculo de Fogo do Pacífico. Embora nem todos esses países façam parte desse cinturão sísmico, a sucessão de abalos chamou a atenção para os movimentos das placas tectônicas responsáveis pelos terremotos.

Apesar de a sequência de terremotos ter incluído a Venezuela, o país não faz parte do chamado Círculo de Fogo do Pacífico. Os tremores registrados em território venezuelano estão ligados ao movimento entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana, uma região que também apresenta intensa atividade sísmica, embora por mecanismos geológicos diferentes dos predominantes no cinturão do Pacífico.

    A expressão designa uma longa cadeia de vulcões, fossas oceânicas e zonas de intensa atividade sísmica ao redor das bordas do Oceano Pacífico. Apesar do nome, o Círculo de Fogo não forma exatamente um círculo: tem o formato de uma ferradura de cerca de 40 mil quilômetros, que se estende do extremo sul da América do Sul, sobe pela costa oeste das Américas, cruza o Estreito de Bering, desce por Japão e Sudeste Asiático e chega à Nova Zelândia. Vulcões ativos e adormecidos na Antártica completam a região.

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    É nessa faixa que ocorrem cerca de 90% de todos os terremotos do planeta. A região também concentra aproximadamente 75% dos vulcões ativos da Terra, segundo dados geológicos citados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. Ao todo, uma cadeia de 452 vulcões se distribui ao longo da área.

    Equipes de resgate buscam vítimas em um prédio que desabou após um terremoto em Caracas — Foto: MANAURE QUINTERO/AFP
    Equipes de resgate buscam vítimas em um prédio que desabou após um terremoto em Caracas — Foto: MANAURE QUINTERO/AFP

    A explicação está no movimento das placas tectônicas. Essas placas são grandes blocos da crosta terrestre que se encaixam como peças de um quebra-cabeça, mas não permanecem paradas: elas se deslocam sobre o manto, uma camada formada por rochas sólidas e material parcialmente fundido. Quando essas placas colidem, se afastam ou deslizam lateralmente umas em relação às outras, podem provocar terremotos, formar vulcões ou abrir fossas profundas no fundo dos oceanos.

      No Círculo de Fogo, boa parte da atividade ocorre em zonas de convergência, quando uma placa tectônica mergulha sob outra em um processo chamado subducção. Esse movimento forma fossas oceânicas profundas e favorece a produção de magma, que sobe até a superfície e cria arcos vulcânicos. É o caso das Ilhas Aleutas, no Alasca, que acompanham a Fossa Aleuta, onde a Placa do Pacífico mergulha sob a Placa Norte-Americana. A fossa chega a 7.679 metros de profundidade, e as ilhas concentram 27 dos 65 vulcões historicamente ativos dos Estados Unidos.

      Processo semelhante ocorre na Cordilheira dos Andes, na América do Sul, paralela à Fossa Peru-Chile. Ali, a Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana. A região abriga o Nevados Ojos del Salado, na fronteira entre Chile e Argentina, considerado o vulcão ativo mais alto do mundo, com 6.879 metros.

      Há também zonas divergentes, onde as placas se afastam. Nesses pontos, o magma sobe, esfria em contato com a água do mar e cria nova crosta oceânica. Um exemplo é a Elevação do Pacífico Leste, uma área de expansão do assoalho oceânico associada às placas do Pacífico, de Cocos, de Nazca e Antártica. A região também reúne fontes hidrotermais no fundo do mar.

      Outro tipo de limite entre placas é o transformante, quando elas deslizam horizontalmente uma ao lado da outra. O atrito faz com que trechos fiquem presos até que a tensão acumulada rompa as rochas, provocando terremotos. A Falha de San Andreas, na Califórnia, é uma das mais conhecidas do Círculo de Fogo. Com cerca de 1.287 quilômetros de extensão e 16 quilômetros de profundidade, ela marca o limite entre a Placa Norte-Americana, que se move para o sul, e a Placa do Pacífico, que se desloca para o norte. O movimento nessa falha causou o terremoto de San Francisco de 1906, que destruiu quase 500 quarteirões, matou cerca de 3 mil pessoas e deixou metade da população da cidade desabrigada.

      Terremoto provoca pânico em Caracas nesta quarta-feira (24) — Foto: MANAURE QUINTERO / AFP
      Terremoto provoca pânico em Caracas nesta quarta-feira (24) — Foto: MANAURE QUINTERO / AFP

      Tremores na Venezuela

      Nesta quarta-feira, dois fortes terremotos atingiram a Venezuela, provocando desabamentos em Caracas e deixando moradores assustados. O primeiro tremor, de magnitude 7,1, teve epicentro a oeste de Morón, comunidade na costa caribenha venezuelana, a cerca de 168 quilômetros da capital. O abalo ocorreu a 22 quilômetros de profundidade. Um minuto depois, o Serviço Geológico dos Estados Unidos registrou um segundo terremoto, ainda mais forte, de magnitude 7,5, com epicentro 16 quilômetros a sudoeste de Morón e profundidade de 10 quilômetros.

      Os tremores estão entre os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século. Em Caracas, moradores deixaram prédios que balançavam e permaneceram nas ruas após o anoitecer. Paredes inteiras ruíram em alguns pontos da cidade, deixando móveis visíveis da rua. Colunas de poeira foram vistas em dois bairros da capital, em áreas normalmente movimentadas por restaurantes e comércios. Algumas pessoas se sentaram no chão abraçadas a seus animais de estimação enquanto a poeira se acumulava ao redor.

        “Começou de leve e depois foi crescendo gradualmente, e no fim todos tivemos que sair de casa, ir para a rua e nos reunir”, disse o morador de Caracas Hector Ricci.

        O ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou que o terremoto foi sentido em vários estados. Segundo ele, o bairro de Altamira, em Caracas, registrou “situações alarmantes”, com casas e edifícios desabados. Cabello sugeriu que havia pessoas feridas e pediu que motoristas dessem passagem a ambulâncias e equipes de emergência.

        “Entendemos que algumas pessoas possam estar desesperadas, mas estamos agindo de acordo com os protocolos para ativar os esforços de ajuda e resgate para atender aqueles que mais precisam”, disse Cabello na televisão estatal. “Tenham muito cuidado com crianças e idosos; liguem uns para os outros e verifiquem se ninguém se feriu.”

        O ministro também orientou a população a permanecer fora de imóveis, diante do risco de réplicas agravarem danos estruturais. “O prédio realmente balançou de um lado para o outro. Irreal. A força foi incrivelmente forte”, relatou o morador Roberto Gamas. “Nós estávamos andando e ele nos jogava de um lado para o outro. Tudo no apartamento caiu. Bem, graças a Deus conseguimos sair.”

        Mais tremores

        Outro terremoto também foi sentido no norte da Califórnia, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. O tremor ocorreu às 8h10, no horário local, a cerca de 11 quilômetros ao norte de Redwood Valley. Moradores de áreas distantes, como Eureka, ao norte, e Sacramento, a sudeste, relataram ter sentido o abalo. Em Mendocino County, cerca de 7.400 imóveis ficaram sem energia.

        O sistema ShakeAlert, operado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos e integrado ao aplicativo MyShake, enviou notificações a celulares no Norte da Califórnia e em partes do Oregon. "O MyShake absolutamente funcionou neste evento e alertou um grande número de pessoas em um curto período de tempo”, disse Suresh Raman, gerente do aplicativo no Laboratório de Sismologia da Universidade da Califórnia em Berkeley.

        Segundo ele, cerca de 650 mil pessoas receberam o aviso. Dados preliminares indicaram que 99% dos alertados receberam a notificação antes de sentir o tremor, caso o tenham sentido. Em San Francisco, o aviso teria chegado cerca de 35 segundos antes da chegada das ondas sísmicas.

        Após o tremor principal, foram registrados abalos secundários na mesma área. Esses eventos, conhecidos como réplicas, ocorrem quando há ajustes ao longo da porção da falha que se rompeu no terremoto inicial. Podem acontecer dias, semanas ou até anos depois, e em alguns casos têm magnitude igual ou superior à do primeiro tremor.

        Na Rússia, a Península de Kamchatka, uma das áreas mais ativas do planeta por estar localizada no Círculo de Fogo, também registrou atividade sísmica. Um terremoto de magnitude 5,0 ocorreu nesta quarta-feira na costa leste da península, segundo o serviço geofísico da Academia Russa de Ciências. O epicentro foi localizado no Golfo de Kronotsky, a cerca de 161 quilômetros de Petropavlovsk-Kamchatsky, a uma profundidade de 15 quilômetros. Tremores fracos, entre 2 e 3 na escala de intensidade, foram sentidos em partes da cidade, sem relatos imediatos de danos ou vítimas.

        A região já vinha registrando uma sequência de abalos. Em 19 de junho, sismólogos identificaram 25 terremotos na costa da península, alguns com magnitude de até 6,9. Três deles foram sentidos por moradores, com intensidade de até 4 em algumas áreas.

        No Japão, outro país situado no Círculo de Fogo e entre os mais sujeitos a terremotos no mundo, um forte abalo atingiu a costa norte nesta quinta-feira. A Agência Meteorológica do Japão informou que o terremoto teve magnitude 7,2 e ocorreu ao largo da costa leste de Iwate, a cerca de 50 quilômetros de profundidade. A leitura inicial era de 6,9, a mesma magnitude registrada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. Não houve alerta de tsunami.

        O tremor atingiu a região nordeste do Japão durante o horário de pico da manhã e também foi sentido levemente em Tóquio. Não havia relatos imediatos de feridos ou danos, segundo o principal porta-voz do governo, Minoru Kihara. A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou a jornalistas, em Tóquio, que a equipe de emergência do governo está “colocando a vida das pessoas em primeiro lugar”, enquanto avalia informações e prepara operações de socorro, se necessário. Ela pediu que moradores das áreas afetadas tenham cautela diante da possibilidade de réplicas.

        Tomoko Nagane, diretora de uma escola primária na cidade de Hashikami, na província de Aomori, contou à emissora estatal NHK que dirigia quando o alerta de terremoto disparou e que sentiu um balanço lateral moderado. Segundo ela, as crianças que já estavam na escola ficaram em segurança, embora algumas tenham chorado de medo. As aulas foram canceladas, e os alunos voltaram para casa em segurança.

        Imagens da TV pública mostraram jornalistas em cidades fortemente atingidas, como Sendai e Morioka, relatando que sentiram o tremor por alguns minutos, mas não observaram danos. O transporte, no entanto, sofreu impacto: a East Japan Railway Co. suspendeu alguns trens-bala e linhas locais para checagens de segurança. Usinas e instalações nucleares, incluindo a Fukushima Daiichi, danificada pelo terremoto e tsunami de 2011, e uma instalação de reprocessamento de combustível nuclear em Aomori, não relataram anormalidades, informou Kihara.

        O Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico dos Estados Unidos chegou a emitir um alerta para as Ilhas Virgens. Autoridades da República Dominicana também emitiram um aviso para a ilha. Outro alerta para Porto Rico foi rapidamente suspenso.

        Fonte/Créditos: O Globo

        Créditos (Imagem de capa): Círculo de fogo do oceano pacífico — Foto: Reprodução: Niwa.co.nz

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