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Segunda-feira, 22 de Junho 2026
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Antes de morrer em UPA no DF, homem disse que não comia há 15 dias. Veja vídeo

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Antes de morrer em UPA no DF, homem disse que não comia há 15 dias. Veja vídeo
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Horas antes de dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas (DF), onde morreu nesse sábado (20/6) enquanto aguardava atendimento, Vilmar da Silva, de 49 anos, relatou a um grupo de evangelização que estava há cerca de 15 dias sem se alimentar.

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Um dia antes da morte, Daniel Fernandes e a esposa realizavam ações de evangelismo na região, com distribuição de alimentos e abordagem a pessoas em situação de vulnerabilidade, quando conheceu Vilmar.

“Ele relatou pra mim que tava 15 dias sem comer, foi lá e tomou um caldo com a gente. A gente conversou, e sempre é muito marcante esses momentos de contar a história, de sentar, de conversar com pessoas que muitas das vezes a sociedade passa e vira o rosto”, disse Daniel.

Segundo ele, o grupo costuma realizar a ação algumas vezes por mês e, além de conversar com as pessoas, também distribui alimentos, como caldos.

“A gente sabe a situação, que muitas das vezes tem pessoas que passam dias ali na UPA e às vezes sem comer, esperando parentes, esperando notícia. E a gente estava ali fazendo, pregando o evangelho, entregando panfleto”, afirmou.

De acordo com Daniel, foi a esposa dele quem percebeu o homem sentado em uma cadeira de rodas. “Eu cheguei, comecei a conversar com ele enquanto ele tomava o caldo. Ele estava me relatando algumas coisas, disse que já tinha 15 dias que não comia e que tinha passado por uma grande frustração e acabou parando na rua por causa disso. Não dava para entender muito aquilo que ele estava falando porque ele estava muito debilitado”, disse.

Ainda segundo ele, o grupo chegou a oferecer ajuda para levá-lo embora, mas o homem teria recusado. “Assim a gente terminou de conversar e tudo mais, peguei a mão dele, abençoei a vida dele, eu e minha noiva despedimos, oramos por ele”, relatou.

Daniel também contou que Vilmar relatou ter duas filhas e que seria casado, mas devido a essa frustração pela qual contou ter passado, acabou em situação de rua. “Tem uma frase que me marcou, que ele falou assim, que no coração dele não tinha mais mágoa, e aí eu falei para ele que isso era louvável, que independente da frustração, guardar mágoa traria para ele ainda mais prisões”, afirmou.

Entenda o caso

O caso de Vilmar ocorreu nesse sábado. Segundo uma testemunha que estava no local, alguns pacientes se posicionaram à frente do corpo para evitar a remoção, dizendo que não permitiriam que o movimentassem antes da chegada da polícia.

Uma testemunha, que não quis se identificar, disse ao Metrópoles que estava na unidade de saúde com a filha. “Em dado momento, um dos presentes afirmou que um senhor não apresentava sinais vitais. Minha esposa, que é enfermeira, verificou o pulso do paciente e constatou o óbito”, afirmou.

Ainda segundo o relato, a equipe de plantão da UPA foi informada, mas um enfermeiro teria negado o falecimento. “Naquele momento, acreditamos que essa postura fosse uma estratégia para remover o corpo da área de espera e declarar o óbito posteriormente, como se o paciente tivesse recebido assistência”, observou.

A reportagem entrou em contato com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) que, em nota, disse estar “apurando as circunstâncias do óbito”. “A vítima, identificada como pessoa em situação de rua, não possuía ficha de atendimento aberta na unidade na data da ocorrência”, afirmou.

Segundo o instituto, profissionais da UPA realizaram avaliação imediata e constataram a ausência de sinais vitais.

“Em seguida, foram acionadas a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para os procedimentos legais. O Iges-DF permanece à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários”, encerrou a nota.

Fonte/Créditos: Metrópoles

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