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Quarta-feira, 24 de Junho 2026
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Alvo da PF, Digimais é acusado de se passar pelo Detran para cobrar clientes

Clientes reclamam de cobrança de financiamento veicular do Banco Digimais, do bispo Edir Macedo, com ameaças em nome do Detran

Alvo da PF, Digimais é acusado de se passar pelo Detran para cobrar clientes
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Banco Digimais e assessorias de cobrança são acusados por clientes de se passar pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para cobrar dívidas, segundo uma série de relatos postados no site Reclame Aqui.

O banco entrou nos holofotes nesta terça-feira (23/6) após ser alvo da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal (PF) contra um esquema de fraudes financeiras. Ao todo, a PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão e quebrou sigilos bancário e fiscal.

O dono do banco, bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, não foi alvo dos mandados por residir no exterior, mas teve a quebra de sigilo e o bloqueio de bens decretados pela Justiça. Ao todo, foram bloqueados mais de R$ 670 milhões de 10 dos alvos da operação.

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Enquanto na operação o Digimais é apontado como responsável por inflar artificialmente o próprio patrimônio, a clientela do banco reclama de práticas abusivas por parte da instituição financeira.

Um dos relatos, por exemplo, afirma ter recebido uma cobrança incomum devido ao financiamento de seu veículo. A cobrança teria sido feita não em nome do banco, mas sim do Detran, segundo o relato.

“O Detran não faz comunicado para cobrar o cliente de parcela em atraso e sim de multas e imposto a que lhe compete, em caso extremo faz o bloqueio do veículo via judicial como demanda a lei. Posso estar em atraso, mas não sou desinformado”, afirmou o cliente.

Busca e apreensão

Outro cliente reclama de uma assessoria que teria mandado SMS se passando pelo Detran “com ameaças de suspensão de CNH, bloqueio de RENAVAM e busca e apreensão” relativas a uma dívida com o Banco Digimais.

No Reclame Aqui, o próprio Digimais admitiu que “que a mensagem enviada via SMS ficou fora do padrão de comunicação adotado pela instituição”. “O caso está em tratamento internamente, com reforço das orientações relacionadas à conduta e comunicação com clientes”, afirmou a ouvidoria do banco.

Em outro caso parecido, a ouvidoria do banco afirmou que “identificou-se divergência pontual em comunicação encaminhada, em desacordo com as diretrizes e padrões de comunicação adotados pela instituição”.

Na plataforma, a instituição bancária tem reputação considerada ruim.

Metrópoles procurou a assessoria da Digimais, que não se posicionou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Operação contra o Digimais

A representação da Polícia Federal que fundamentou a operação contra o Banco Digimais aponta que a instituição do bispo evangélico Edir Macedo seguiu o mesmo modus operandi do Banco Master, pivô de um dos maiores escândalos financeiros da história do país.

Segundo a investigação, os alvos teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira do Banco Digimais. O objetivo seria criar uma aparência de solvência para burlar a fiscalização dos órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares.

No documento, a PF aponta que o banco controlado por Edir Macedo “adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”.

Segundo a corporação, a instituição de Daniel Vorcaro implementou um modelo de captação massiva de recursos, atraindo clientes a partir da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas de retorno muito superiores às praticadas no mercado.

A representação destaca ainda que tal captação não possuía lastro e sustentou-se na expectativa de cobertura por parte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), instituição criada para proteger depositantes e investidores em caso de quebra da instituição.

De acordo com a PF, isso demonstra que “a gestão utilizou a garantia coletiva para captar liquidez, ocultar o passivo a descoberto e transferir o risco da operação para o sistema financeiro”.

Fonte/Créditos: Metrópoles

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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