O Banco Digimais e assessorias de cobrança são acusados por clientes de se passar pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para cobrar dívidas, segundo uma série de relatos postados no site Reclame Aqui.
O banco entrou nos holofotes nesta terça-feira (23/6) após ser alvo da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal (PF) contra um esquema de fraudes financeiras. Ao todo, a PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão e quebrou sigilos bancário e fiscal.
O dono do banco, bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, não foi alvo dos mandados por residir no exterior, mas teve a quebra de sigilo e o bloqueio de bens decretados pela Justiça. Ao todo, foram bloqueados mais de R$ 670 milhões de 10 dos alvos da operação.
Enquanto na operação o Digimais é apontado como responsável por inflar artificialmente o próprio patrimônio, a clientela do banco reclama de práticas abusivas por parte da instituição financeira.
Um dos relatos, por exemplo, afirma ter recebido uma cobrança incomum devido ao financiamento de seu veículo. A cobrança teria sido feita não em nome do banco, mas sim do Detran, segundo o relato.
“O Detran não faz comunicado para cobrar o cliente de parcela em atraso e sim de multas e imposto a que lhe compete, em caso extremo faz o bloqueio do veículo via judicial como demanda a lei. Posso estar em atraso, mas não sou desinformado”, afirmou o cliente.
Busca e apreensão
Outro cliente reclama de uma assessoria que teria mandado SMS se passando pelo Detran “com ameaças de suspensão de CNH, bloqueio de RENAVAM e busca e apreensão” relativas a uma dívida com o Banco Digimais.
No Reclame Aqui, o próprio Digimais admitiu que “que a mensagem enviada via SMS ficou fora do padrão de comunicação adotado pela instituição”. “O caso está em tratamento internamente, com reforço das orientações relacionadas à conduta e comunicação com clientes”, afirmou a ouvidoria do banco.
Em outro caso parecido, a ouvidoria do banco afirmou que “identificou-se divergência pontual em comunicação encaminhada, em desacordo com as diretrizes e padrões de comunicação adotados pela instituição”.
Na plataforma, a instituição bancária tem reputação considerada ruim.
O Metrópoles procurou a assessoria da Digimais, que não se posicionou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Operação contra o Digimais
A representação da Polícia Federal que fundamentou a operação contra o Banco Digimais aponta que a instituição do bispo evangélico Edir Macedo seguiu o mesmo modus operandi do Banco Master, pivô de um dos maiores escândalos financeiros da história do país.
Segundo a investigação, os alvos teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira do Banco Digimais. O objetivo seria criar uma aparência de solvência para burlar a fiscalização dos órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares.
No documento, a PF aponta que o banco controlado por Edir Macedo “adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”.
Segundo a corporação, a instituição de Daniel Vorcaro implementou um modelo de captação massiva de recursos, atraindo clientes a partir da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas de retorno muito superiores às praticadas no mercado.
A representação destaca ainda que tal captação não possuía lastro e sustentou-se na expectativa de cobertura por parte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), instituição criada para proteger depositantes e investidores em caso de quebra da instituição.
De acordo com a PF, isso demonstra que “a gestão utilizou a garantia coletiva para captar liquidez, ocultar o passivo a descoberto e transferir o risco da operação para o sistema financeiro”.
Fonte/Créditos: Metrópoles
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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