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Sexta-feira, 05 de Junho 2026
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AGU se posiciona no STF pela derrubada da Lei da Dosimetria

Órgão alegou que legislação aprovada no Congresso apresentou inconstitucionalidades

AGU se posiciona no STF pela derrubada da Lei da Dosimetria
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A Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (19), uma manifestação pela declaração de inconstitucionalidade da chamada Lei da Dosimetria, norma aprovada pelo Congresso que atenua penas e regras de execução penal de condenados pelos chamados crimes contra o Estado Democrático de Direito.

No documento, protocolado após pedido de informações feito pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, a AGU argumenta que tanto o conteúdo da lei quanto o procedimento legislativo contrariam a Constituição.

Entre os principais questionamentos, a AGU critica a análise fatiada do veto presidencial pelo Congresso. Durante a votação, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), considerou prejudicados trechos relacionados à progressão de pena, sob justificativa de evitar conflito com a Lei Antifacção. Para a AGU, a medida comprometeu a unidade do veto e a regularidade do processo legislativo.

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– Ao fracionar a análise do veto integral, o Congresso Nacional não apenas distorceu a unidade do ato de veto presidencial, como criou no artigo 112 do Código Penal uma disposição mista decorrente da redação da Lei nº 15.402/2026 e da Lei nº 15.358/2026, comprometendo a lisura do processo legislativo – sustentou a AGU.

Outro ponto levantado é que alterações relevantes feitas pelo Senado não teriam retornado à Câmara dos Deputados para nova apreciação, como exige a Constituição em casos de modificação substancial do texto.

No mérito, a AGU afirma que a autorização para progressão de regime após o cumprimento de apenas 1/6 da pena viola o princípio da proporcionalidade, ao estabelecer tratamento mais brando para crimes contra o Estado Democrático do que para outros delitos comuns.

O órgão ainda questiona o dispositivo que prevê redução automática de pena para crimes praticados em contexto de multidão, sustentando que esse tipo de conduta tende a ampliar riscos e dificultar a contenção por autoridades.

A Lei da Dosimetria foi promulgada após o Congresso derrubar integralmente o veto presidencial e é alvo de quatro ações diretas de inconstitucionalidade no STF, apresentadas pelo PDT, pela federação PSOL-Rede, pela federação PT-PCdoB-PV e pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Nesta segunda (18), Câmara e Senado defenderam a validade da norma perante o Supremo. As Casas argumentaram que o Congresso possui competência para definir critérios de política criminal, incluindo regras de progressão de regime e cálculo de penas, e afirmaram que a tramitação respeitou as normas constitucionais e regimentais.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, suspendeu na última semana os primeiros pedidos de aplicação da nova lei apresentados por condenados pelos atos de 8 de janeiro, sob o entendimento de que é necessário aguardar decisão do Supremo sobre a constitucionalidade da norma. O processo ainda aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de eventual julgamento.

Fonte/Créditos: Pleno News

Créditos (Imagem de capa): Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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