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Sexta-feira, 05 de Junho 2026
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Notícias / Política

Agenda de Vorcaro expõe contatos com ministros do STF e cúpula do Congresso

Investigações sobre o Banco Master revelam rede de relações no Judiciário e no Legislativo

Agenda de Vorcaro expõe contatos com ministros do STF e cúpula do Congresso
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As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pela CPI do INSS sobre o Banco Master trouxeram à tona uma agenda com nomes do alto escalão da República mantida pelo empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo nesta segunda-feira, 15, a partir de dados obtidos após a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático do banqueiro.

O conteúdo extraído do celular de Vorcaro chegou oficialmente à CPI e aponta contatos diretos com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de deputados, senadores e um governador, ampliando o alcance político do caso.

Ministros do STF aparecem na agenda do banqueiro

Entre os nomes identificados estão os ministros Dias ToffoliAlexandre de Moraes e Kassio Nunes. O caso ganha contornos mais sensíveis porque Toffoli é o relator do inquérito que apura irregularidades do Banco Master no STF.

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Poucos dias após uma viagem ao Peru em jato privado, na qual esteve acompanhado do advogado de um diretor do banco, Toffoli avocou o processo ao Supremo, decretou sigilo e concentrou as investigações na Corte.

Em decisão posterior, o ministro também retirou da CPI o acesso integral aos dados da quebra de sigilo, incluindo extratos bancários e mensagens de WhatsApp do empresário.

Senado critica decisão que restringiu acesso da CPI

Em nota, o gabinete de Dias Toffoli informou que a defesa de Vorcaro pediu a anulação das quebras de sigilo, solicitação que foi negada. Ainda assim, os documentos foram encaminhados à presidência do Senado, onde permanecem sob custódia até nova deliberação do STF.

O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reagiu duramente. Ele classificou a medida como “grave”, afirmou que prejudica o andamento das apurações e alertou para o impacto negativo sobre a confiança da sociedade nas instituições.

Agenda revela contatos com Moraes, Lira e líderes do Congresso

O nome de Alexandre de Moraes aparece associado a um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci. Documentos apreendidos indicam que o acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões.

Já Kassio Nunes afirmou não manter qualquer relação com Vorcaro e declarou que seu telefone pessoal tornou-se amplamente conhecido desde sua sabatina no Senado, em 2020.

No Congresso Nacional, a lista de contatos inclui o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL). Motta não comentou. Lira disse não ter relação com o empresário, mencionando apenas dois encontros institucionais.

No Senado, o nome do banco surgiu ainda ligado à chamada “emenda Master”. Em 2024, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou proposta para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para produtos como CDB, principal fonte de captação do banco. A iniciativa não prosperou.

Ibaneis Rocha aparece em negociações bilionárias com o BRB

Outro personagem citado é o governador do Distrito FederalIbaneis Rocha (MDB). Segundo a investigação, Vorcaro teria afirmado que Ibaneis consultou terceiros sobre seu histórico durante as negociações para a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

De acordo com o relato, as referências positivas teriam ajudado a destravar uma operação estimada em R$ 12,2 bilhões. Ibaneis negou a versão, mas confirmou que seu telefone pode constar na agenda em razão das tratativas institucionais.

PF aponta rede de proteção política

Relatórios da Polícia Federal indicam que o Banco Master teria estruturado operações fraudulentas para driblar a fiscalização do Banco Central (BC). A apuração menciona a existência de uma rede de proteção baseada em relações políticas e institucionais, descritas como laços de “camaradagem”.

Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação do Master. Vorcaro chegou a ficar preso por nove dias, mas foi solto mediante o uso de tornozeleira eletrônica.

 

 

Fonte/Créditos: Contra Fatos

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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