O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), se manifestou pela primeira vez após ter sido acusado de cometer assédio sexual contra duas mulheres. O magistrado responde às acusações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Supremo Tribunal Federal (STF) e STJ.
Em mensagem enviada aos colegas de Corte, nesta segunda-feira (9/2), Buzzi afirma ser inocente e diz estar “muito impactado” com as notícias veiculadas.
O ministro, que apresentou atestado médico de 10 dias após a divulgação da primeira denúncia, afirmou que se encontra “internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional”.
“De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repúdio. Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência”, diz o ministro em trecho da carta.
Na declaração, o ministro afirma que provará ser inocente. “Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado”, disse.
Buzzi lamentou o desgaste que o caso pode trazer ao STJ e afirma que está “submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar”.
Confira a íntegra da carta de Marco Buzzi
Caros colegas,
Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado.
De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.
Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência.
Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.
Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.
Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura.
Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.
Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar.
De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida. Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos.
Buzzi foi acusado de assédio sexual por uma jovem de 18 anos que passava as férias deste ano hospedada na casa do magistrado, em Balneário Camboriu (SC).
A moça é filha de um casal de amigos do ministro. No dia 9 de janeiro, eles se encontravam na praia, e, em determinado momento, a jovem foi tomar um banho de mar. Buzzi também estava dentro da água. Segundo relatos da jovem, que entrou em estado de desespero, o ministro, que estaria visivelmente excitado, tentou, por três vezes, agarrá-la.
Ela conseguiu se desvencilhar, correu para a praia e contou aos pais o ocorrido. O casal de amigos deixou o local e seguiu para São Paulo, onde registrou boletim de ocorrência sobre o caso em uma delegacia de polícia.
Nesta segunda, o CNJ recebeu uma nova denúncia de assédio sexual contra Marco Buzzi. Fontes ouvidas pela coluna afirmaram que o corregedor, ministro Mauro Campbell Marques, ouviu declarações da nova suposta vítima e registrou oficialmente a denúncia.
A nova vítima, ouvida pelo CNJ nesta segunda, seria uma ex-funcionária do gabinete de Buzzi no STJ.
Fonte/Créditos: Metrópoles
Créditos (Imagem de capa): Luiz Silveira/Agência CNJ
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