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Quarta-feira, 22 de Abril 2026
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A impressionante história do mexicano que sobreviveu a mordida de tubarão na cabeça

Mauricio Hoyos trabalha com tubarões há 30 anos e, pouco tempo depois de ser atacado por uma fêmea de tubarão-das-galápagos, ele já tem programada sua volta ao oceano para prosseguir com seus estudos.

A impressionante história do mexicano que sobreviveu a mordida de tubarão na cabeça
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Mauricio Hoyos conta que ainda se lembra claramente da pressão que sentiu sobre seu crânio, quando ficou preso na garganta de um tubarão de mais de três metros de comprimento.

O animal havia se lançado sobre ele a uma velocidade surpreendente. Hoyos teve apenas o tempo suficiente para abaixar a cabeça e proteger a jugular.

 

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"Quando ele fechou sua boca, senti a pressão da mordida e, acho que depois de um segundo, ele abriu a boca e me deixou ir embora", contou ele à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC), em recuperação na sua casa em La Paz, no Estado mexicano da Baixa Califórnia, mais de um mês depois do incidente.

Hoyos é biólogo marinho. Ele tem mais de 30 anos de experiência estudando tubarões no seu habitat natural.

Diferentemente do que pensaria qualquer outra pessoa depois de ter ficado tão perto da morte, Hoyos tem planos de voltar a entrar na água, já em meados deste mês.

 

"Na verdade, minha evolução foi incrível", ele conta, com um grande sorriso. "De fato, eles me deram alta e já tenho viagem para mergulhar marcada para o dia 14 de novembro."

Hoyos tomou esta decisão porque, para ele, o que ocorreu naquele dia, nas águas da ilha do Coco, na Costa Rica, é o comportamento normal de um animal que se sentiu ameaçado e considerou necessário se defender.

"Neste caso, esta mordida foi como a dos cães", explica ele. "Você já viu que eles mordem, quando outro cão se aproxima muito? Eles não o machucam, mas, com isso, o outro cachorro se tranquiliza."

"Não sei se esta fêmea de tubarão estava grávida, talvez tivesse crias dentro dela. Então, imagine, você não está só protegendo a si mesmo, mas também à sua prole."

 

  • 🦈 Esta visão de Hoyos sobre os tubarões não é consequência da sua profissão. Na verdade, ela foi a razão que levou o pesquisador a estudar biologia marinha.

Tudo começou quando ele assistiu, pela primeira vez, ao clássico de Steven Spielberg Tubarão (1975).

Medo, não: fascinação

 

Antes da era do streaming, o cinema era diferente. Os filmes eram experiências coletivas que as pessoas compartilhavam nas salas de cinema.

E, quando uma produção conseguia estabelecer conexão com o público, se tornava um fenômeno cultural. Tubarão foi um desses filmes.

Relatos da imprensa da época contam que o filme causou tanto impacto entre os espectadores que as pessoas gritavam, saíam da sala ou desmaiavam em meio às projeções. Tudo isso ajudou a impulsionar sua popularidade.

Hoyos não viu o filme no cinema, mas cresceu ouvindo as histórias de quando seu pai assistiu em 1975. O filme acabou sendo o catalisador de uma paixão que mudaria sua vida.

 Foto do biólogo Mauricio Hoyos com a cicatriz da mordida que recebeu de um tubarão — Foto: Arquivo pessoal

 

"Esse medo irracional gerado pelo filme nos seres humanos foi bastante negativo", ele conta. "Mas, para mim, gerou o efeito contrário: ver esse animal tão perfeito fez com que eu me perguntasse mais sobre a realidade do tubarão branco."

Esta obsessão não se limitou apenas ao animal protagonista do filme. Ela se estendeu às diferentes espécies de tubarões existentes no mar.

Hoyos estudou centenas de espécies de tubarões ao longo da sua carreira. Ele começou com tubarões-de-pontas-negras-do-recife recém-nascidos, quando cursava a universidade com 18 anos de idade.

Hoyos mostra com orgulho as fotos daquele momento tão especial para ele.

"Esta lembrança sempre estará na minha memória, pois as pessoas nunca imaginam que eles passam por esta etapa tão vulnerável", explica ele. "Todos pensam que eles são assassinos em série."

 

"Mas, graças ao tubarão desta foto, o primeiro que eu agarrei, senti a vulnerabilidade e até o medo do tubarãozinho, que não sabia o que estávamos fazendo, que era para o seu bem. Isso me fascinou e fez com que eu me interessasse mais sobre os tubarões, pois percebi que eles também são vulneráveis."

O mais surpreendente da sua carreira é que, apesar de trabalhar com diferentes tipos de tubarões, ele enfrentou poucos incidentes até o momento. Eles incluem uma mordida na cintura por outra fêmea de tubarão-das-galápagos, quando ele colocava nela uma "marca acústica".

 

Hoyos mostra com orgulho a cicatriz deixada pelo tubarão: 'marca de batalha com forma de brânquias' — Foto: Arquivo Pessoal de Mauricio Hoyos

Marcando tubarões

 

Na atual era tecnológica, os cientistas contam com todo tipo de ferramentas para estudar o comportamento de qualquer espécie, incluindo as que vivem no mar.

"Nós usamos muito estas marcas acústicas para estudar movimentos locais", explica Hoyos.

Ele mostra o que parece ser um cilindro plástico, com um código de identificação, e um longo cabo do qual pende uma ponta metálica que é incrustada na pele do animal.

No momento em que este tubarão, com esta marca, se aproxima dos receptores que temos embaixo d'água (que têm o tamanho aproximado de garrafas de vinho e estão situados a uma profundidade de 20 a 30 metros), esta informação fica gravada", explica ele.

"Com isso, posso saber que o tubarão 47785 esteve naquela região e para onde ele se moveu."

Esta informação é útil para entender aspectos da vida desses animais que não poderíamos conhecer de outra forma, como as zonas de acasalamento e desova. Assim, podemos ajudar os governos a designar áreas protegidas, que permitam que os animais sobrevivam em um mundo de ameaças constantes.

"Os tubarões são como o sistema imunológico dos oceanos", segundo Hoyos. "São eles que controlam as populações das suas presas e se alimentam dos organismos velhos e doentes, mantendo a saúde de todo o ecossistema."

"Muitas pessoas pensam que os oceanos seriam melhores sem os tubarões, mas, na verdade, elas não conhecem o papel muito importante que eles desempenham para manter seu delicado equilíbrio."

Para poder encontrar tubarões para marcar, Hoyos conta que os cientistas se baseiam na sua compreensão do mundo natural. Uma forma de fazer isso é identificar o que eles chamam de "estações de limpeza".

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): BBC

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