O nome junta três palavras: Holanda, América e Brasil. Holambra, no interior de São Paulo, nasceu em 1948, quando cerca de 500 imigrantes holandeses trocaram a Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial por 5 mil hectares de terra paulista. Quase oito décadas depois, a cidade de 16 mil habitantes tem moinhos de vento, fachadas coloridas em estilo neerlandês e abastece cerca de 45% do mercado nacional de flores. Todo mês de setembro, a Expoflora, considerada a maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina, atrai mais de 300 mil visitantes.
Como o fracasso do gado leiteiro criou a capital brasileira das flores?
Os primeiros colonos vieram da província de Brabante do Norte e fundaram a Cooperativa Agropecuária Holambra em 14 de julho de 1948. O plano original era produzir leite e laticínios, mas o gado holandês puro não resistiu às doenças tropicais e foi dizimado. A virada aconteceu em 1951, quando um segundo grupo de imigrantes trouxe sementes de gladíolo na bagagem. O cultivo de flores se expandiu entre 1958 e 1965 e nunca mais parou.
Em 1989, a cooperativa criou o leilão de flores que deu origem à Cooperativa Veiling Holambra, hoje o principal centro de comercialização de flores do país. A cidade responde por cerca de 45% de toda a produção nacional, segundo dados da Câmara Municipal de Holambra. O cooperativismo que salvou a colônia virou modelo de gestão e transformou a cidade na referência da floricultura latino-americana.
Qualidade de vida e segurança justificam a fama da Cidade das Flores?
Holambra tem indicadores que cidades muito maiores não alcançam. A Câmara Municipal registra que o município já figurou como a 7ª cidade com melhor qualidade de vida do Brasil e atingiu o melhor índice de segurança do país em levantamentos anteriores. No Índice CFA de Governança Municipal 2018, Holambra ficou em 2ª posição entre 1.905 municípios brasileiros com até 20 mil habitantes. A escolarização de crianças de 6 a 14 anos é de 100%, segundo o IBGE.
A Estância Turística, título concedido pela Assembleia Legislativa de São Paulo em 1998, recebe cerca de 400 mil visitantes por ano. O espírito comunitário herdado dos fundadores se reflete em ruas limpas, segurança acima da média e um senso de organização que remete aos Países Baixos.
Leia também: A capital mundial das árvores: a cidade mais verde do Brasil com a 2ª melhor qualidade de vida entre as capitais, onde 91% das ruas são cobertas por sombra e o ar é puro o ano inteiro
O que fazer na pequena Holanda paulista além de fotografar flores?
Holambra oferece atrações durante o ano inteiro, com picos na primavera e no Natal. As principais experiências incluem:
- Expoflora: realizada desde 1981, acontece em setembro no Parque da Expoflora. Exposição de arranjos florais, desfile da Parada das Flores com chuva de pétalas, danças folclóricas holandesas e shows culturais.
- Moinho Povos Unidos: réplica de moinho holandês inaugurada em 2008, com parque ao redor, lojas de souvenir e vista panorâmica da região.
- Boulevard Holandês: rua com fachadas coloridas em estilo neerlandês que concentra lojas, restaurantes e galerias.
- Bloemen Park: espaço com campos de girassóis e lavandas, estufas e trilhas. Funciona como cenário para ensaios fotográficos e passeios em família.
- Museu Histórico e Cultural de Holambra: acervo de 2 mil fotos, réplicas de casas da época e objetos dos imigrantes. Fica na Alameda Maurício de Nassau.
- Noeland: evento natalino em dezembro dentro do Parque da Expoflora, com decoração temática, luzes e atrações para crianças.
Quem deseja um passeio bucólico pela “Cidade das Flores”, vai curtir esse vídeo do canal Turistando SP, com mais de 25 mil visualizações, onde Carol e Edu mostram o roteiro perfeito de 1 dia por Holambra, no interior de São Paulo, visitando campos de flores e o icônico moinho:
Como chegar à Cidade das Flores no interior paulista?
Holambra fica a 130 km de São Paulo e a 37 km de Campinas. O acesso mais comum é pela Rodovia dos Bandeirantes (SP-348) ou Rodovia Anhanguera (SP-330) até Campinas, seguindo pela SP-340 em direção a Mogi Mirim. O trajeto desde a capital paulista leva menos de duas horas. O Aeroporto de Viracopos, em Campinas, é o mais próximo, a cerca de 40 km.
O pedaço da Europa que nasceu de uma pá fincada no chão
Holambra existe porque 500 famílias apostaram que era possível reconstruir a vida em outro continente. O gado morreu, o dinheiro ficou preso na Holanda e o idioma era uma barreira. O que sobrou virou a maior cadeia de flores do país, uma festa que atrai centenas de milhares de pessoas e ruas que parecem saídas de um vilarejo europeu.
Você precisa caminhar pela Alameda Maurício de Nassau numa manhã de setembro, sentir o perfume dos campos e entender como a mistura entre teimosia holandesa e terra paulista criou uma cidade que não existe em nenhum outro lugar do Brasil.
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