Não há quem já não tenha ouvido falar da lenda do Rei Arthur.
O lendário líder britânico que comandou a defesa da Grã-Bretanha contra os invasores saxões, no final do século V e início do século VI, em uma Bretanha ainda desmembrada e em fase de embrião para imperar...
O que não se sabe ao certo é se esse Arthur seria mais uma esperança de um rei que viesse a ter a arte e o engenho de unificar reinos separados ou, simplesmente, o de vir a trazer uma ressonância de um passado muito mais distante ainda…
O passado de certas e determinadas terras nórdicas...
Propala-se que, certa vez, Arthur fora até tais nortenhas e geladas terras, na companhia de vários e fiéis cavaleiros, para alcançar sua iniciação e seus propósitos de conhecimento, porque ali estariam as terras chamadas de Thule – as terras ancestrais...
A lendária Thule era uma ilha isolada em que os cavaleiros teriam que navegar por extensas horas para alcançá-la.
Explorando-a e sendo por ela explorado, dizem os místicos, seria possível alcançar um cabal entendimento em torno do desenvolvimento interno e superior dos seres…
Alcançar o estado de iluminação…
Um sortilégio que foi, depois, desvirtuado e migrado para o sul da Inglaterra, contado, narrado e ilustrado pelas Brumas de Avalon.
Hitler e seus acólitos também se fissuraram nos encantos e sortilégiosThuleneanos (vide Pompa & Circunstância, 2022, Marco Paulo Silva)...
Pegaram-se, então, vários pedaços da memória coletiva de lendas muito mais antigas da memória da humanidade e trouxeram-nas para a Bretanha – e por que para a Bretanha?
Porque fora o reduto escolhido pelos Venezianos (as potestades & principados da vez à época) para ser o centro de um novo império e de uma nova ordem.
Bom, direto ao ponto: a estória de Arthur representa e faz alegoria à (idílica) estória do desenvolvimento individual superior.
Do desafio interno.
O tal do “Super-Homem” zaratustra e nietzscheniano.
Daquele que tem que saber quem realmente é.
De encontrar sua força interior – transcentente; divina.
Para, um dia, se tornar Rei – de si próprio…
Esse rei não será um rei que unificará reinos.
Será o rei que unificará o interior de cada um de nós, as partes que eu ainda não sei quem sou, o meu emocional alinhado com o meu mental, o meu lado negro que eu terei que fazer surgir e brotar para fora, ser capaz de encará-lo como um líder encara seus antagonistas, olhando-os nos olhos, e, através desse processo, se confrontar a si mesmo, fazer-se conhecer e integrar todas as partes clivadas e antagónicas.
A “integração dos reinos” nada mais é que um sonho externo de uma integração interna da nossa psique: do emocional com o mental e o espiritual.
“Então todas os vieses lendários do rei Arthur visam isso: unificar as partes internas que ainda estão fragmentadas num desvelar de si próprio?”
Sim!
Não por acaso, na dita lenda, foram introduzidos elementos cristãos e católicos, como o cálice sagrado, aquele cálice no qual se coletou o sangue de Jesus...
Nas lendas celtas o lado sagrado sempre esteve centrado num caldeirão…
O caldeirão celta era onde era colocado todo o processo interno da magia, magia, essa, que buscava uma alquimia da transformação do Homem em algo superior – uma transmutação...
Liguem os pontos...
Agora, qual a ligação do mago Merlin em tais arthurianas lendas?
Tão só o omnipresente lado espiritual inerente e que a tudo subjaz.
A estória de Merlin, na verdade, é um paralelo com a estória da Atlântida e dos magos Atlantis.
A era onde ciência e espiritualidade caminhavam juntos.
Uma coisa só!
Merlin é, pois, o druida cientista que trabalha com o mundo quântico, capaz de transformar as coisas em função daquilo que se pensa, foca e manifesta, e a partir do qual a realidade se transforma por um espelho do mundo interno para o externo.
De que vivemos em realidades paralelas e o que vivenciamos é uma projeção da nossa frequência interior e dos padrões que temos dentro, que se impõem e que passam a reverberar.
Sem embargo, e voltando, o que temos como um mago acompanhando Arthur seria o guia, aquele ser que nos guia invisível ou visivelmente, que nos acompanha num processo de desenvolvimento para alcançar níveis maiores e mais extensos de consciência.
No caso de Arthur, Merlin é o druida que o auxilia no desenvolvimento do arquétipo de rei, do herói que não se reconhece e que não sabe quem é.
E quando alguém vai e lhe diz quem ele é, ele, de antemão, nega. O típico padrão de quando alguém diz que o poder interior que está dentro de cada ser humano é o maior dos poderes – o poder crístico -, e a esmagadora maioria das pessoas nega-o, veementemente, exigindo e só admitindo que tal poder virá, somente, de uma entidade/divindade externa.
Terceirizamos, desde sempre, de graça e de boca aberta, tal inefável poder.
O poder de ser capaz de extraír a espada (alcançar a cabal clarividência) e lidar com todo o poder que ela confere.
Se olhardes com olhos de ver Excalibur ostenta o design de uma cruz...
Excalibur representa, pois, o padrão de energia que, à exceção de uma escassa minoria, ninguém está disposto a carregar e que é veementemente negado - de que Deus está em nós e nós somos Ele em fração.
Em suma, Arthur representa o idílico arquétipo do nosso desenvolvimento interior aqui nestes terrenos domínios.
O Homem sempre denegou a se lançar na luta pelo seu próprio confronto.
Confronta-se constantemente com outras pessoas, discute, arrazoa, contrapõe, fere, mata e morre.
Mas nunca tem a coragem de se confrontar consigo mesmo.
E a lenda do rei Arthur foca, essencialmente, nesse resgatar.
Em resgatar um poder que todos nós temos e que se encontra dentro de nós.
Arquetípico na lenda em apreço é, também, o afã de Arthur em querer manter doze cavaleiros na távola redonda sendo ele o décimo terceiro, tal qual Jesus era o décimo terceiro dos doze apóstolos...
Tal quase os 12 signos em face de nós próprios (o 13.º elemento)...
Essa visão do doze não é randômica.
É a visão de unidade completa, já que o sistema terra, toda a sua estrutura reinante, está dentro de uma estrutura de doze faces geometrizadas chamada de dodecaedra (vide Dzáit-Gáist, 2024, Marco Paulo Silva).
Então, esse doze, representa a estrutura da nossa realidade como um todo, isto é, a matriz que busca sempre uma unidade.
E o décimo terceiro é o pivot que comanda todo esse processo – a consciência pinacular, divina, crística, solar e antológica.
Eco
Fonte/Créditos: Juntando as peças com intelecto, lucidez & cognição impoluta™
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