Estamos fechando o mês de maio de 2022 e teremos pela frente quatro meses até a eleição. Clichê falar que muita coisa pode acontecer, qualquer brasileiro que nem precisa estar ligado em política sabe disso. Mas tem algo que não muda: os questionamentos sobre as pesquisas eleitorais.
O histórico dos institutos de pesquisas falam por si só. Quando não tínhamos a liberdade da rede e o "must" eram os canais de notícia por TV a cabo, no dia das eleições, víamos sempre os responsáveis pelos institutos dando as explicações cheias de tecnicismo ou "tecno-cinismo", que compreendemos agora, quando os erros grotescos apareciam com o resultado final das eleições. E assim caminhávamos acreditando que tudo era como era, que os movimentos de última hora existiam, mesmo que se caracterizassem muito mais como movimentos dos últimos minutos, que as empresas podiam se equivocar de boa-fé e bola pra frente.
Mas o Brasil mudou. O povo chegou ao poder com o Presidente Bolsonaro, numa eleição que "quebrou a banca" e não deu chance para os institutos de pesquisa acertarem o resultado daquela eleição. Isso mesmo, os institutos erraram tudo. Quem não se lembra que o "Biroliro" perdia para todos os candidatos no segundo turno?
E nessa mudança, apesar de eleito com as urnas eletrônicas, o sistema começou a ser questionado por não apresentar respostas seguras e coerentes para uma série de dúvidas e indagações que existiam antes mesmo da corrida eleitoral de 2018. Por fim, chegamos então na atual situação, com a apresentação, por convite do própio TSE, de uma série de sugestões após exames dos mais gabaritados técnicos militares, especialistas em segurança digital, para trazer garantia ao pleito por parte das Forças Armadas.
E é curioso notar que no mesmo momento em que as rusgas tomaram conta da mídia, com as Forças Armadas questionando publicamente o posicionamento do TSE e se colocando presente na realização das eleições, as pesquisas apresentaram um aumento significativo do Presidente Bolsonaro, em paralelo a uma queda do maior ladrão da história do Brasil. A prática do ajuste, que antes acontecia (quando acontecia) na última semana da campanha, dessa vez, começou em abril.
Mas as declarações recentes do atual Presidente do TSE, cerca de duas, três semanas atrás, o Ministro Facchin, enfrentando o posicionamento das Forças, dando duras declarações, segundo ele, em nome da "democracia" e uma ausência de resposta pública por parte do Ministro da Defesa ou de qualquer membro das Forças, parece ter deixado os institutos novamente a vontade para colocar os números que não são retratados pela realidade do dia-a-dia do país. Enquanto um leva multidões nos quatro cantos do país, o líder não pode colocar suas ferraduras nas ruas. Como pode isso ser tão diferente nas pesquisas?
Fato é que estamos numa área cinzenta, sem saber como será efetivamente o nosso processo eleitoral. Teremos a auditoria prévia, por parte do partido do Presidente, como lhe garante as regras do TSE? Quais as medidas serão tomadas caso se verifique alguma interferência na eleição? Esse questionamento é do General de Divisão Heber Garcia Portella, Comandante do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), responsável pelo trabalho das Forças Armadas junto ao TSE. Para a primeira pergunta, a resposta do TSE foi de que não há possibilidade de auditoria prévia. PAra a segunda pergunta, silêncio sepulcral.
Mas vamos além. O dito popular diz que "a ocasião faz o ladrão" (sem nenhuma intenção de dar indiretas ou colocar carapuças disponíveis para serem vestidas, apenas querendo dar ênfase ao aproveitamento das oportunidades). Parece existir uma certeza na falta de questionamento do brasileiro e na sua capacidade de indagar quando o foco lhe é desviado subjetivamente. Pela mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na última quinta-feira (26) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com 48% das intenções de voto na corrida pelo Palácio do Planalto. O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 27%. A seguir aparecem o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 7%, o deputado federal André Janones (Avante) e a senadora Simone Tebet (MDB) com 2% cada. Números tão diferentes da realidade que assistimos todos os dias talvez nos tire o foco para que não percebamos outras coisas que estão ali, na nossa frente.
Vamos então focar nisso aqui, brincando de fazer conta? Pois bem, com o número de registro BR-04618/2022, a pesquisa do Instituto Paraná, que será divulgada em 1º de junho, amanhã, teve um valor declarado de R$ 100.000,00 mil. Já a do Quaest (BR-02283/2022), publicada em 18 de maio, custou R$ 116.400,00. A do Ipespe (BR-07856/2022), publicada em 27 de maio, custou R$ 42.000,00 mil. Já o custo para a última pesquisa produzida pelo Instituto Datafolha (BR-05166/2022) foi de R$ 473.780,00, entrevistando 2556 pessoas.
Portanto, PARA QUESTIONAR CADA PESSOA, SE GASTOU R$ 185,36. Não importa se a pesquisa tem um ou vinte questionamentos a ser respondido pelo pesquisado. Se é feita por telefone ou presencial. O que importa é o custo, aparentemente fora dos valores praticados pelos concorrentes no mercado.
O curioso é que a pesquisa feita pela DATAFOLHA INSTITUTO DE PESQUISAS LTDA, foi feita a pedido, sabido por todos de forma notória, da empresa do mesmo grupo Folha, EMPRESA FOLHA DA MANHA S.A., conforme o registro no TSE.
Vou usar aqui de um jargão popular para questionar algumas coisas: "O POVO QUER SABER!"
- Por que cargas d'água um produto/serviço (fazer a pesquisa) custa tão mais caro que seus concorrentes?
- Você contrataria uma empresa que lhe cobra 4, 5, 10 vezes mais do que as outras para realizar um trabalho semelhante?
- Mesmo sendo empresas com CNPJ diferentes, portanto, tecnicamente independentes, mas pertencendo ao mesmo grupo (repito, é notório - todos sabem que são do mesmo grupo), a regra não seria dar um "descontinho" e até abrir mão de lucratividade para favorecer o próprio grupo?
A verdade pouco explorada é que isso é grave demais! Se é uma prática recorrente do grupo Folha, por qual motivo isso nunca foi questionado? Se o custo de uma pesquisa, pela primeira vez é tão fora da realidade do mercado, isso é mais grave ainda!
Ainda bem que eu não sou adepto de teorias da conspiração e nem vejo maldade em tudo. Tenho certeza que a turma conspiratória já iria começar a ver indícios de lavagem de dinheiro entre as empresas do mesmo grupo. Em tese e, a bem da verdade, caberia sim uma investigação sobre o assunto, afinal transparência é tudo e um veículo de mídia, desse tamanho e com tamanha responsabilidade precisa ser "mulher de César".
E aqui vai uma cobrança pública aos nossos gloriosos Deputados e Senadores da base, que poderiam e deveriam analisar esse tipo de informação. Trabalha e buscar pela existência de novas evidências, afinal, AS PESQUISAS SÃO REGISTRADAS NO TSE. Muitos deles, que falam da necessidade de uma CPI dos institutos de pesquisas, baseiam seu pedido (ou seu oba oba de discurso político para inglês ver) nos números divulgados no período pré-eleitoral, de campanha e nos resultados finais totalmente discrepantes das pesquisas. Agora, se levantassem outros pontos, como a questão financeira (como já foi citado até nos trabalhos da Operação Lava-Jato sobre pagamento de pesquisas), o pedido para investigar os institutos no parlamento teria, certamente, muito mais robustez e sentido. Somando-se a isso o clamor popular aumentaria e muito com indícios de crimes.
Há muita coisa nebulosa (nuvens são cinzas) nessas pesquisas eleitorais. Insistem para que fiquemos discutindo o branco escuro, o preto claro, deixando tudo confuso e tirando o foco de todos nós para questões importantes que, se resolvidas, levarão o Brasil para um céu azul de sol brilhante, onde tudo estará muito claro e cristalino.
Fonte/Créditos: Gustavo Reis
Créditos (Imagem de capa): Gustavo Reis