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Domingo, 26 de Abril 2026
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A turma da direita que facilmente falaria: "Eu trabalho na Globo!"

"Olhos de ver, ouvidos de ouvir". Tem muita testa oleosa se achando mente brilhante, dentro das redes sociais.

A turma da direita que facilmente falaria:
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O Brasil, "o país do futuro", teve no seu passado nomes gigantescos que dificilmente serão igualados em suas áreas de atuações, num futuro próximo ou distante.

Dom Pedro II, na dedicação e no amor a pátria. Pelé (negro, preto, crioulo, sem mimimi de racismo), o brasileiro mais famoso do mundo. O maior de todos os tempos no esporte mais popular do planeta e, na minha opinião, um dos maiores artistas do mundo no século passado. Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho. O Chico Anysio.

A genialidade de um artista que criou mais de 200 personagens, distintos um dos outros, fatiando e retratando as diferentes camadas e diferentes personalidades do povo brasileiro é de uma riqueza cultural que dificilmente alguém chegará perto de fazê-lo.

Quando falamos de personagem que nos liga à política, lembramos logo do político corrupto Justo Veríssimo e seus bordões "Tenho horror a pobre!" e "Quero que pobre se exploda!". Ou então o Washington, um líder estudantil universitário esquerdista de língua presa, cabelo comprido, rebelado contra qualquer regime, contra a opressão dos Estados Unidos e defensor do comunismo.

Uma observação, o problema do domínio da esquerda e a doutrinação nas universidades foi diagnosticado e apresentado pelo Chico na década de 80 e pouco se deu bola.

Mas agora eu vou falar de outro personagem que, aparentemente, em nada tem a ver com a política (para aqueles que não conhecem ótica aristotélica - a maioria da população - onde o homem é um animal político - pois ele utiliza a palavra (logus) exercendo sua capacidade de julgamento, de certo e errado, bem e mal e etc, diferente dos animais que só exprimem dor e prazer) mas em tudo tem a ver com um traço do comportamento brasileiro.

A imagem da coluna já deu spoiler. Esse personagem é o Bozó.

E senta que lá vem textão com muitas referências externas que só farão você aprender. E aprender muito. E não é comigo, eu apenas os reuni.

Para quem não lembra, o Bozó era o personagem que adorava dar uma bela carteirada, dizendo que trabalhava na Globo. Muitas vezes isso vinha acompanhado anteriormente de um "sa-sabe com quem tá tá fa-falando?" Completando com um incisivo "Eu trabalho na Globo". Pois é. Bozó era gago, de esteriótipo caricato, mas que se valia de seu suposto trabalho na maior e mais importante rede de tv do país, para dar suas cantadas e ter "importância" reconhecida diante de pessoas do cotidiano.

A figura do Bozó representa algo que ainda é muito vívido na cultura do país: a carteirada. O "sabe com quem está falando, sabe quem eu sou" e etc pulula por aí, principalmente entre as pessoas simpáticas ao progressismo (eufemismo da moda para comunismo).

Fiz três tweets que me inspiraram a fazer esse texto. Vou reproduzí-los aqui para não ficar repetitivo e lá explico muita coisa. No segundo tweet, há um vídeo do professor Olavo de Carvalho, curto, que vale a pena demais ser visto para que compreendamos ainda mais como erramos recorrentemente, falando sem necessidade sobre qualquer assunto.

 

Pois bem... "Olhos de ver, ouvidos de ouvir". Mas quem efetivamente se comporta assim? O brasileiro é especialista em tudo e craque em palpitar em tudo.

Em uma semana repleta de episódios e fatos, assistimos a certeza e a convicção de alguns sobre os temas acalorados da política nacional. Os posicionamentos eram extremamente firmes! Firmes, mas desmoronaram como castelos construídos em base de areia.

Na loucura dessa semana tivemos a justificativa com ginástica retórica de uma meia dúzia de "os mesmos de sempre" para defender o pífio posicionamento de um Ministro do STF, afirmando certezas, a base de carteirada de um quase "notório saber jurídico" (daqueles cheios de impáfia digno de qualquer vacilão que já passou no STF), salientando em tom de "lição de moral" o "voto estritamente técnico" de André Mendonça. Voto esse desmentido por ato categórico e irrepreensível do Presidente da República no dia seguinte. Outra loucura também foi as falsas esperanças da vitória de Marine Le Pen, na França, ou uma possível manipulação de votos para manter o atual presidente. 

Sendo assim, gatos-mestres e/ou interesseiros fizeram um auê nas redes sociais. Tome like, tome desinformação e manipulação.

E não vou nem levar em consideração os notórios canalhas, travestidos patriotas bolsonaristas, que trabalham na base da valorização daquilo tudo que não desejamos mais, confrontando o tempo todo com o projeto de mudança que escolhemos em 2018. Tudo em nome de um compreensível "pragmatismo e governabilidade",  diante das dificuldades do Presidente e de supostamente existirem fatos que desconhecemos e que exigem do Presidente "jogo de cintura". Todavia por esses, exige-se até as calças do nosso capitão e deixa a razoabilidade esquecida num fundo de baú.

Aqui estou me referindo especificamente ao assunto Daniel Silveira/STF. A pergunta é: a quem interessa o governo cheio de pessoas que deveriam estar colaborando com a agenda vencedora do Presidente Bolsonaro e não interferindo, descaracterizando essa agenda? A quem interessa pintar o combate aos excessos do judiciário do país como algo a ser renegado e prejudicial para a eleição? Afinal, na lógica dessa gente, o deputado quis se promover e está dando trabalho para o Jair. Quem esquece que o primeiro ponto nessa história é defender o respeito ao ordenamento jurídico nacional, que garante a liberdade, por mais incomoda que ela seja, já não merece o mínimo de contraponto. É acusar a mulher estuprada de culpada por ter usado roupa sensual. Fim da questão.

Mas, nada como um dia após o outro para a REALIDADE se sobrepor as falsas narrativas ou as opiniões. Como bem explica o professor Olavo, no vídeo, presente também no tweet 2/3, com o trecho destacado, narrativas e opiniões feitas em cima de chavões, slogans, lugares comuns. Tudo para fazer crer a quem lê e escuta algo substancioso quando, na verdade, não há nada além de fragmentos de conceitos para dar um ar de coerência

A tarefa é difícil, a tarefa de nos atermos à realidade. Todavia, como diz o próprio professor, exige, antes de tudo honestidade e humildade. "Ser humilde não é outra coisa senão aceitar a realidade."

E qual foi a realidade nua e crua nesses dois fatos? No primeiro, um voto de alguém que aceitou a implantação e a prática de uma distopia, que ao criar uma "realidade paralela" para atender o desejo de comando e controle de um grupo, dando ar de legalidade a um processo que nasceu completamente fora da lei, ilegal e, portanto, nem poderia existir. E vamos além: ainda que essa distopia estivesse "valendo" ou fosse um ponto absurdamente pacificado, com seu voto corroborou com uma teoria draconiana que visa tirar acentuar e perpetuar essa situação, atropelando a realidade, a liberdade de expressão do povo brasileiro, através do descumprimento da CF ao criminalizar um representante eleito, sem previsão legal.

Em suam, não há nada que justifique isso para quem votou em 2018 acreditando e desejando mudança no cenário político brasileiro. Talvez sirva para aqueles que criticam o "ódio do bem" da esquerda, mas que se colocariam como "alguma coisa do bem" para justificar o injustificável que viria a lhes favorecer. Em resumo, canalhice interesseira de uns patifes somada a idiotia útil de outros que são usados como massa de manobra.

No segundo caso, me parece mesmo a falta de senso de realidade de alguns e a busca do like com a venda de falsas esperanças.! Repito aqui o teor de uma das frases do professor presente nas fotos do tweet 3/3.

TUDO, na vida intelectual, depende de uma distinção clara entre o que você SABE, o que lhe PARECE RAZOÁVEL, o que você ACHA e o que você apenas IMAGINA. Os quatro discursos de Aristóteles.

Vou deixar um link de uma página que explica muito bem a observação do professor sobre os quatro discurso de Aristóteles. Mas, em linhas gerais, traduzimos a frase acima para:

  • O discurso lógico ou analítico: certeza apodíctica, certeza da verdade.
  • O discurso dialético: probabilidade razoável.
  • O discurso retórico: verossimilhança.
  • O discurso poético: possibilidade.

Importante: não se pode sair de uma premissa falsa para chegar a uma verdade. E o que vemos? Premissas falsas para justificar um discurso aparentemente retórico, mas que sendo analisado se mostra estritamente poético. Está dentro daquilo que a pessoa imagina, deixando de lado os dados, os fatos reais para a análise.

O que relato aqui foi objeto de discussão (diálogo, troca de ideias, pelo menos por mim) no twitter e repito tudo que lá defendi, afirmando que o povo francês ainda não acordou, em sua maioria, para a necessidade de mudança total, ainda que não goste de Macron. ,

A eleição na França teve seu primeiro turno encerrado, com dados oficiais do governo francês (não importa quem reproduz, importa é a fonte do dado), mostrando uma altíssima abstenção e com a soma de dois candidatos de esquerda (Emmanuel Macron - o tratado como centrista mas que sabemos ser esquerdista e Jean-Luc Mélenchon - o PSOL francês) batendo quase 50% (49,8% para ser exato) dos votos válidos. Sendo assim a candidata de direita, Marine Le Pen, quase ficou fora do segundo turno, por diferença de 1.1% (23,1% x 22%) dos votos válidos. O outro direitista, Érick Zemmour teve apenas 7,07% dos votos.

Vale ressaltar que os votos foram feitos em cédulas de papel, ainda que a totalização se dê por via eletrônica e por empresa suspeita, lá o voto é no "papelzin".

Isso bastaria para que qualquer desavisado que use o "lé e o cré", de forma correta, lembrando que o terceiro colocado é um esquerdista radical, entendesse que o alto índice de abstenção significaria duas coisas: a primeira delas é que virar um jogo onde o outro lado forçosamente já tem quase a metade dos votos válidos, é praticamente impossível. 

A segunda é mais óbvia ainda (todavia mais trabalhosa de se concluir porque exige raciocínio e análise de um cenário muito mais amplo). Se num momento de polarização, de um crescente posicionamento do eleitorado tendendo à direita na França, temos 25,1% dos franceses não comparecendo às urnas (desculpem a expressão, mas significa que estão cagando para o atual estado do Estado francês), a tendência óbvia será de mais uma alta abstenção. E essa abstenção favorecerá sempre (matemática, ok?) quem LIDERA as pesquisas, a não ser que ela viesse toda por parte dos eleitores do segundo colocado, tendo todos os leitores do quarto colocado depositando seu voto na Le Pen. Mas com as declarações, no dia da apuração do primeiro turno, onde ele não pedia voto a favor, mas dizia que a Marine não podia ser votada, não precisamos considerar a situação da exceção, né?

Mas vamos além? O que é a França? Como pensa o povo francês? Como se comporta através dos séculos o povo francês? Saber disso já serviria para acabar com falsas esperanças numa eleição que já apontava sua tendência, em um cenário sem escândalos de última hora que comprometesse o candidato Globalista.

Deixo aqui o primeiro tweet de uma excelente aula grátis do amigo Roberto Motta.

Deixo ainda um primeiro tweet de uma segunda aula grátis do mesmo Roberto Motta.

 

Pois é. Portanto, não adianta a carteirada do tipo "você tá errado. Eu moro aqui, quer saber mais do que eu?" Não adianta se prender naquilo que você deseja, que você gostaria, naquilo que muitas vezes o seu entorno lhe informa fazendo você confundir a realidade com seu discurso poético, disfarçado de discurso retórico que ilude o leitor (ou seguidor de boa-fé) achando que ele é analítico.

Um à parte: enquanto eu escrevia esse texto, as informações sobre a eleição Francesas são essas:

 

Deixar o coração no armário e se debruçar sobre questões sérias requer muita responsabilidade Obviamente se há intenção honesta em opinar, informar e debater. Contudo, quem realmente quer fazer uma análise com compromisso e emitir opinião séria? Tá cheio de Bozó por aí. Exatamente igual. Para conquistar seguidores, notoriedade, com atitudes no mesmo nível.  Tá cheio de testa oleosa que se acha mente brilhante. A turma da direita que facilmente falaria: "Eu trabalho na Globo!" 

 

Fonte/Créditos: Gustavo Reis

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