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Sábado, 06 de Junho 2026
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O que acontece com o corpo quando você para de consumir açúcar? Especialistas explicam os efeitos

Redução de gordura corporal, melhora do humor, mais disposição e menor risco de doenças estão entre os benefícios associados à diminuição do consumo de açúcar adicionado

O que acontece com o corpo quando você para de consumir açúcar? Especialistas explicam os efeitos
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Quando o assunto é açúcar, muitas pessoas pensam imediatamente em doces, refrigerantes e sobremesas. No entanto, a glicose que o organismo necessita para funcionar não depende necessariamente do açúcar refinado. Ela pode ser obtida a partir de diversos alimentos naturais e nutritivos, como batata, mandioca, frutas, leite, cereais integrais e até verduras.

Especialistas explicam que os carboidratos são essenciais para o funcionamento do corpo e já fornecem a glicose necessária para produzir energia. Por isso, o organismo não precisa dos chamados açúcares livres ou adicionados, presentes em produtos industrializados, doces e bebidas açucaradas.

Embora eliminar completamente o açúcar adicionado da alimentação não seja uma tarefa simples, a redução do consumo pode trazer uma série de benefícios para a saúde física e mental.

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O que muda no corpo ao cortar o açúcar?

Entre os principais efeitos observados por especialistas estão:

Redução da gordura corporal

Uma das mudanças mais comuns é a diminuição da gordura corporal, especialmente da gordura visceral, que se acumula na região abdominal e está associada a problemas cardíacos, metabólicos e inflamatórios.

Mais disposição

Nos primeiros dias, algumas pessoas podem sentir cansaço ou falta de energia. Isso acontece porque o organismo está se adaptando à ausência de uma fonte rápida de energia.

Contudo, quando a alimentação continua fornecendo carboidratos saudáveis, como arroz, batata, mandioca, frutas e grãos, o corpo se adapta e os níveis de energia tendem a melhorar.

Melhora do humor

O açúcar estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer. Por isso, a redução do consumo pode provocar irritação temporária em algumas pessoas.

Após o período de adaptação, porém, muitos relatam melhora do humor e maior estabilidade emocional.

Menos inflamação

Dietas com menor quantidade de açúcar adicionado costumam reduzir processos inflamatórios no organismo, o que pode contribuir para uma melhor saúde geral.

Melhor saúde metabólica

A diminuição do açúcar refinado favorece a sensibilidade à insulina e pode reduzir o risco de doenças como:

  • Diabetes tipo 2;
  • Obesidade;
  • Doença hepática gordurosa;
  • Doenças cardiovasculares;
  • Cáries dentárias.

Sono de melhor qualidade

A redução das oscilações bruscas da glicose no sangue também pode contribuir para noites mais tranquilas e maior qualidade do sono.

Segundo o médico especialista em Terapia Nutricional e Gastroenterologia Juliano Antunes Machado, da Rede Mater Dei de Saúde, os benefícios vão além do emagrecimento.

"Ao parar de consumir açúcar artificial, a massa gordurosa é reduzida. A inflamação do corpo também diminui, assim como a probabilidade de adoecimento. O estômago se esvazia de forma mais eficiente, o indivíduo digere melhor os alimentos e aproveita melhor os nutrientes", explica.

O corpo precisa de açúcar?

A resposta é sim, mas não necessariamente do açúcar refinado.

A glicose é a principal fonte de energia para praticamente todas as células do organismo, especialmente para o cérebro.

"O nosso mais nobre tecido ou órgão, que é o sistema nervoso central, e os neurônios periféricos dos nervos usam quase exclusivamente a glicose como fonte de energia", destaca o endocrinologista e pesquisador da Unicamp Bruno Geloneze.

O corpo obtém essa glicose principalmente a partir dos carboidratos presentes nos alimentos.

O que são carboidratos?

Os carboidratos são nutrientes essenciais e a principal fonte de energia do organismo.

Eles podem ser divididos em três grupos:

  • Açúcares;
  • Amidos;
  • Fibras.

Sempre que consumimos carboidratos, eles são transformados em glicose e utilizados como combustível para as células.

Entre os açúcares mais comuns estão:

  • Sacarose (açúcar de cana);
  • Frutose (frutas e mel);
  • Lactose (leite e derivados).

Já os amidos são encontrados em alimentos como:

  • Batata;
  • Mandioca;
  • Milho;
  • Arroz;
  • Feijão;
  • Cereais integrais.

Segundo especialistas, aproximadamente 50% das calorias consumidas diariamente devem vir dos carboidratos, preferencialmente os complexos e menos processados.

Por que o excesso de açúcar faz mal?

O problema não está nos carboidratos naturais, mas no excesso de açúcares simples presentes em alimentos ultraprocessados.

Com a industrialização dos alimentos, aumentou significativamente a oferta de produtos ricos em açúcar e com alto índice glicêmico.

Isso tem sido apontado como um dos fatores relacionados ao crescimento global da obesidade e do sobrepeso nas últimas décadas.

Quando consumido em excesso, o açúcar pode contribuir para:

  • Obesidade;
  • Diabetes tipo 2;
  • Hipertensão;
  • Doenças cardiovasculares;
  • Gordura no fígado;
  • Síndrome metabólica;
  • Cáries;
  • Inflamação crônica;
  • Problemas digestivos;
  • Acne e alterações na pele;
  • Ansiedade e depressão;
  • Maior risco de alguns tipos de câncer.

Quanto açúcar é considerado seguro?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os açúcares livres representem menos de 10% da ingestão calórica diária.

Para benefícios adicionais à saúde, a entidade sugere limitar esse consumo a cerca de 5% das calorias diárias, o equivalente a aproximadamente:

25 gramas de açúcar por dia, ou cerca de seis colheres de chá, para um adulto com dieta de 2.000 calorias.

Já a American Heart Association (AHA) recomenda:

  • Homens: até 36 gramas por dia;
  • Mulheres: até 25 gramas por dia.

Onde encontrar açúcar de forma natural?

Especialistas destacam que a melhor estratégia é priorizar alimentos minimamente processados, que fornecem energia junto com vitaminas, minerais e fibras.

Boas fontes naturais incluem:

  • Frutas;
  • Leite e derivados;
  • Verduras;
  • Legumes;
  • Batata;
  • Mandioca;
  • Grãos integrais;
  • Feijões e leguminosas.

Além de fornecer glicose, esses alimentos oferecem nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.

Dieta equilibrada é a chave

Os especialistas alertam que eliminar completamente os carboidratos não é recomendado.

"A exclusão dos carboidratos de uma dieta não encontra, na literatura atual, base para sustentar sua recomendação como proposta para emagrecimento, em virtude das consequências em longo prazo e da dificuldade de adesão", afirma o médico nutrólogo Fabiano Robert, professor da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

A orientação é manter uma alimentação variada, rica em alimentos naturais, frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras, reduzindo principalmente os açúcares adicionados e os produtos ultraprocessados.

Dessa forma, é possível obter toda a energia necessária para o organismo e, ao mesmo tempo, reduzir os riscos associados ao consumo excessivo de açúcar.

Créditos (Imagem de capa): Divulgação

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