Quando o assunto é açúcar, muitas pessoas pensam imediatamente em doces, refrigerantes e sobremesas. No entanto, a glicose que o organismo necessita para funcionar não depende necessariamente do açúcar refinado. Ela pode ser obtida a partir de diversos alimentos naturais e nutritivos, como batata, mandioca, frutas, leite, cereais integrais e até verduras.
Especialistas explicam que os carboidratos são essenciais para o funcionamento do corpo e já fornecem a glicose necessária para produzir energia. Por isso, o organismo não precisa dos chamados açúcares livres ou adicionados, presentes em produtos industrializados, doces e bebidas açucaradas.
Embora eliminar completamente o açúcar adicionado da alimentação não seja uma tarefa simples, a redução do consumo pode trazer uma série de benefícios para a saúde física e mental.
O que muda no corpo ao cortar o açúcar?
Entre os principais efeitos observados por especialistas estão:
Redução da gordura corporal
Uma das mudanças mais comuns é a diminuição da gordura corporal, especialmente da gordura visceral, que se acumula na região abdominal e está associada a problemas cardíacos, metabólicos e inflamatórios.
Mais disposição
Nos primeiros dias, algumas pessoas podem sentir cansaço ou falta de energia. Isso acontece porque o organismo está se adaptando à ausência de uma fonte rápida de energia.
Contudo, quando a alimentação continua fornecendo carboidratos saudáveis, como arroz, batata, mandioca, frutas e grãos, o corpo se adapta e os níveis de energia tendem a melhorar.
Melhora do humor
O açúcar estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer. Por isso, a redução do consumo pode provocar irritação temporária em algumas pessoas.
Após o período de adaptação, porém, muitos relatam melhora do humor e maior estabilidade emocional.
Menos inflamação
Dietas com menor quantidade de açúcar adicionado costumam reduzir processos inflamatórios no organismo, o que pode contribuir para uma melhor saúde geral.
Melhor saúde metabólica
A diminuição do açúcar refinado favorece a sensibilidade à insulina e pode reduzir o risco de doenças como:
- Diabetes tipo 2;
- Obesidade;
- Doença hepática gordurosa;
- Doenças cardiovasculares;
- Cáries dentárias.
Sono de melhor qualidade
A redução das oscilações bruscas da glicose no sangue também pode contribuir para noites mais tranquilas e maior qualidade do sono.
Segundo o médico especialista em Terapia Nutricional e Gastroenterologia Juliano Antunes Machado, da Rede Mater Dei de Saúde, os benefícios vão além do emagrecimento.
"Ao parar de consumir açúcar artificial, a massa gordurosa é reduzida. A inflamação do corpo também diminui, assim como a probabilidade de adoecimento. O estômago se esvazia de forma mais eficiente, o indivíduo digere melhor os alimentos e aproveita melhor os nutrientes", explica.
O corpo precisa de açúcar?
A resposta é sim, mas não necessariamente do açúcar refinado.
A glicose é a principal fonte de energia para praticamente todas as células do organismo, especialmente para o cérebro.
"O nosso mais nobre tecido ou órgão, que é o sistema nervoso central, e os neurônios periféricos dos nervos usam quase exclusivamente a glicose como fonte de energia", destaca o endocrinologista e pesquisador da Unicamp Bruno Geloneze.
O corpo obtém essa glicose principalmente a partir dos carboidratos presentes nos alimentos.
O que são carboidratos?
Os carboidratos são nutrientes essenciais e a principal fonte de energia do organismo.
Eles podem ser divididos em três grupos:
- Açúcares;
- Amidos;
- Fibras.
Sempre que consumimos carboidratos, eles são transformados em glicose e utilizados como combustível para as células.
Entre os açúcares mais comuns estão:
- Sacarose (açúcar de cana);
- Frutose (frutas e mel);
- Lactose (leite e derivados).
Já os amidos são encontrados em alimentos como:
- Batata;
- Mandioca;
- Milho;
- Arroz;
- Feijão;
- Cereais integrais.
Segundo especialistas, aproximadamente 50% das calorias consumidas diariamente devem vir dos carboidratos, preferencialmente os complexos e menos processados.
Por que o excesso de açúcar faz mal?
O problema não está nos carboidratos naturais, mas no excesso de açúcares simples presentes em alimentos ultraprocessados.
Com a industrialização dos alimentos, aumentou significativamente a oferta de produtos ricos em açúcar e com alto índice glicêmico.
Isso tem sido apontado como um dos fatores relacionados ao crescimento global da obesidade e do sobrepeso nas últimas décadas.
Quando consumido em excesso, o açúcar pode contribuir para:
- Obesidade;
- Diabetes tipo 2;
- Hipertensão;
- Doenças cardiovasculares;
- Gordura no fígado;
- Síndrome metabólica;
- Cáries;
- Inflamação crônica;
- Problemas digestivos;
- Acne e alterações na pele;
- Ansiedade e depressão;
- Maior risco de alguns tipos de câncer.
Quanto açúcar é considerado seguro?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os açúcares livres representem menos de 10% da ingestão calórica diária.
Para benefícios adicionais à saúde, a entidade sugere limitar esse consumo a cerca de 5% das calorias diárias, o equivalente a aproximadamente:
25 gramas de açúcar por dia, ou cerca de seis colheres de chá, para um adulto com dieta de 2.000 calorias.
Já a American Heart Association (AHA) recomenda:
- Homens: até 36 gramas por dia;
- Mulheres: até 25 gramas por dia.
Onde encontrar açúcar de forma natural?
Especialistas destacam que a melhor estratégia é priorizar alimentos minimamente processados, que fornecem energia junto com vitaminas, minerais e fibras.
Boas fontes naturais incluem:
- Frutas;
- Leite e derivados;
- Verduras;
- Legumes;
- Batata;
- Mandioca;
- Grãos integrais;
- Feijões e leguminosas.
Além de fornecer glicose, esses alimentos oferecem nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.
Dieta equilibrada é a chave
Os especialistas alertam que eliminar completamente os carboidratos não é recomendado.
"A exclusão dos carboidratos de uma dieta não encontra, na literatura atual, base para sustentar sua recomendação como proposta para emagrecimento, em virtude das consequências em longo prazo e da dificuldade de adesão", afirma o médico nutrólogo Fabiano Robert, professor da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).
A orientação é manter uma alimentação variada, rica em alimentos naturais, frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras, reduzindo principalmente os açúcares adicionados e os produtos ultraprocessados.
Dessa forma, é possível obter toda a energia necessária para o organismo e, ao mesmo tempo, reduzir os riscos associados ao consumo excessivo de açúcar.
Créditos (Imagem de capa): Divulgação
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