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Inca integra projeto para estimular igualdade de gênero nas ciências

Em parceria com as universidades de São Paulo e de Birmingham, o Inca vai desenvolver, ao longo do ano, políticas e práticas para aumentar a atuação das mulheres nesses espaços.

Inca integra projeto para estimular igualdade de gênero nas ciências
© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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O Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde, foi selecionado para integrar um grupo internacional cujo objetivo é estimular a igualdade de gênero nas instituições de ciência, tecnologia, ensino superior e pesquisa. Em parceria com as universidades de São Paulo (USP) e de Birmingham, na Inglaterra, o Inca vai desenvolver, ao longo deste ano, políticas e práticas para aumentar a atuação das mulheres nesses espaços.

A iniciativa Mulheres na Ciência foi fundada pelo British Council, que desenvolveu o projeto Promovendo e Fortalecendo a Igualdade de Gênero no Ensino Superior: uma perspectiva Reino Unido-Brasil. Do total de 15 trabalhos qualificados para o edital do British Council, seis foram escolhidos para receber o financiamento da organização Mulheres na Ciência: Chamada de Parcerias pela Igualdade de Gênero do Reino Unido-Brasil. Um deles foi o das pesquisadoras do Inca Mariana Boroni, Mariana Emerenciano e Patricia Possik.

Mariana Boroni disse hoje (11) à Agência Brasil que há cerca de um ano as pesquisadoras começaram a conversar sobre como poderiam mudar a realidade da desigualdade de gênero e de outras minorias no instituto. “E a gente viu a oportunidade de participar desse processo seletivo onde são escolhidas instituições brasileiras, em parceria com instituições inglesas, financiado pelo British Council, para desenvolver esse programa voltado para a equidade de gênero, no caso da mulher na ciência”.

Mapeamento

Mariana Boroni disse que a ideia é, primeiro, detectar quais seriam os principais problemas que elas conseguem enxergar no Inca e na USP. “A ideia é tentar mapear os principais problemas de desigualdade de gênero nessas instituições, aprender com instituições parceiras, como a Universidade de Birmingham, que já tem um programa montado para equidade de gênero, e ver de que forma a gente pode aplicar essas ações no nosso instituto, para ter um ambiente mais igualitário, mais equitativo, onde a participação das mulheres seja maior, mais relevante, mais reconhecida”.

Em fevereiro próximo, será realizado o primeiro seminário, envolvendo as três instituições. Depois, haverá uma visita técnica dos pesquisadores brasileiros à Inglaterra, para receber treinamento, entender as políticas e ações que estão sendo feitas naquele país para, em um segundo momento, tentar aplicá-las no Brasil. Uma terceira etapa será uma visita técnica dos pesquisadores de Birmingham ao Brasil, para a continuidade do debate sobre o tema. Serão feitas palestras de conscientização, mapeamento dos problemas, visando o estabelecimento de ações que possam mitigar essa situação nas instituições.

Mariana Boroni disse que além de a presença das mulheres nas ciências exatas ainda ser reduzida, nas ciências biológicas nenhuma mulher ocupa um cargo de decisão, onde são formuladas as políticas. “Outro problema é que as mulheres são cobradas com uma carga de produtividade semelhante à dos homens, só que elas têm atividades domésticas para as quais os homens não contribuem. Existe muita desigualdade para a forma como as mulheres são cobradas nos cargos que elas ocupam. Isso não é percebido pela comunidade científica”.

A pesquisadora disse que os salários nas ciências são semelhantes, embora a mulher não ocupe cargos políticos ou de alta hierarquia, que detêm os mais altos salários. “Isso influencia bastante”. 

Os resultados do programa deverão ser apresentados no final de 2022, após reunião de avaliação, prevista para outubro.

Rede

A rede conjunta Mulheres na Ciência, proposta pelos pesquisadores, profissionais e estudantes envolvidos no trabalho, vai proporcionar encontros para discussão do tema. Serão criados também novos recursos digitais e materiais de treinamento personalizados para ajudar no desenvolvimento profissional contínuo. 

Durante a execução do programa, outro objetivo é compartilhar as descobertas com comunidades científicas e de relações internacionais, por meio de conferências, publicações conjuntas e mídias sociais.

“É muito importante termos o reconhecimento da relevância e qualidade dos nossos projetos e equipes. Esse tipo de apoio é fundamental para implementarmos ações que diminuam a desigualdade de gênero na área acadêmica e científica em nosso país”, ressaltou o coordenador de pesquisa do Inca, Luiz Felipe Ribeiro Pinto.

A reitoria de Projetos Estratégicos da Universidade de Birmingham quer disseminar a ação pelo Brasil. O propósito é que o Inca, a USP e a Universidade de Birmingham trabalhem com mais parceiros em todo o Brasil, visando expandir o projeto para pesquisas e colaborações mais amplas sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ODS/ONU), em relação à igualdade de gênero. 

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil
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