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Cobrar pessoas a se vacinar contra covid-19 para acessar lugares pode ser pouco eficaz

Infectologista afirma que vacinação não é capaz de barrar transmissão

Cobrar pessoas a se vacinar contra covid-19 para acessar lugares pode ser pouco eficaz
Reuters
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Alguns meses desde o início das campanhas de imunização contra a covid-19, alguns países já começam a elaborar estratégias para voltar à vida normal, mesmo com parcelas da população que não pretendem se imunizar.

Na França, a exigência do passe sanitário provocou protestos. A lei prevê que só poderão entrar em locais como lojas, bares e restaurantes pessoas que tiverem completado a imunização ou com teste negativo de covid-19, assim como na Grécia e Itália também possuem iniciativas governamentais no mesmo sentido.

Já no Brasil, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, na semana passada anunciou que pretende liberar casas noturnas e festas com a capacidade de 50% de público a partir de 2 de setembro e com 100% em outubro. A exigência será comprovar a imunização através do aplicativo ConecteSUS.

E mesmo assim, uma pessoa com certificado de imunização ainda está sujeita a pegar o vírus e transmiti-lo

Na avaliação de Alexandre Naime Barbosa, infectologista e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Botucatu,  a adesão de certificados sanitários não garante que haja locais sem coronavírus. 

"Esse tipo de medida pode fazer sentido como uma forma de coação para a pessoa se vacinar, mas não faz sentido no que tange o lugar onde ela está sendo exigida. [...] Não faz o menor sentido exigir um cartão de vacinação para entrar em um lugar público porque posso estar vacinado e transmitir. Em um lugar público, o que eu preciso fazer? Usar máscara e ter distanciamento social."

Para o epidemiologista e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) Eliseu Waldman, a exigência de um certificado de imunização para acessar locais do dia a dia cria, acima de tudo, discussões "éticas e filosóficas".

"São questões éticas e questões, vamos dizer assim, filosóficas, de você poder ou não intervir nas opções de cada um. Isto versus o interesse da maioria ou da saúde pública. É uma discussão complicada, a não ser em regimes muito autoritários. Eu acho que a China fez isso e, pelo menos, não se teve notícia de reclamação."

Na França, 64% da população adulta está completamente 'imunizada', mas enfrenta uma resistência para fazer com que a campanha avance. Em outros países europeus e os Estados Unidos têm movimentos antivacina fortes — e não é de hoje.

Mas por lá parece ter surtido algum efeito o anúncio das regras para acessar determinados locais. Em 12 de julho, após o presidente Emmanuel Macron afirmar que o passe sanitário entraria em vigor em agosto, mais de 900 mil franceses agendaram em um único dia para tomar o imunizante. 

Esta situação, na visão do epidemiologista, dificilmente deve se repetir no Brasil, país que tem uma tradição de grande adesão às campanhas de imunização.

Mesmo com as duas doses, acrescenta o professor da Unesp, o comprovante de vacinação não será um passaporte para voltar à vida normal que havia antes da pandemia.

"Não estamos caminhando para um modelo de eliminação da doença como a gente tem com o sarampo, com a rubéola, porque as vacinas não são efetivas a ponto de evitar a transmissão. Nós não vamos viver um cenário de eliminação da covid a curto e médio prazos. Vamos ter um cenário de mitigação, de coabitação com o vírus."

De acordo com Waldman, "nenhum lugar vai estar livre de covid". 

"Agora que está todo mundo vacinado podemos voltar ao normal? Isso não é verdade. As medidas gerais de proteção, máscara, distanciamento, higienização, vamos ter que manter por um bom tempo até a poeira baixar. E ver qual vai ser o impacto das variantes que forem surgindo."

O CDC (Centro de Controle e Prevenção de doenças) americano, na semana passada, por meio de um documento interno divulgado pela imprensa, informou que indivíduos completamente vacinados podem transmitir a variante Delta com a mesma intensidade dos não vacinados

Nos Estados Unidos, com 49,5% da população completamente vacinada, começam revisar o afrouxamento de regras, inclusive a da dispensa do uso obrigatório de máscaras em ambientes fechados.

Desde o início, sabe-se que as vacinas contra covid-19 disponíveis hoje, não são capazes de frear a transmissão, muitas ainda são internadas, e outras vem a falecer, mesmo com as duas doses e com um certo tempo para que o corpo já comece a produzir anticorpos, mesmo que seja em quantidade pequena. 

FONTE/CRÉDITOS: R7/ Aliados Brasil Oficial
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