Um confronto entre indígenas da etnia Tupinikim e a equipe de segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou um agente do GSI ferido na cabeça durante evento realizado em Aracruz, no norte do Espírito Santo, na quinta-feira (21). O servidor precisou receber pontos após ser atingido.
O que motivou a confusão
O incidente ocorreu na 6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura, sediada no Sesc de Aracruz, em território indígena. De acordo com integrantes do povo Tupinikim, jovens do grupo buscavam se aproximar da área reservada às autoridades com o objetivo de realizar uma apresentação cultural em homenagem ao presidente.
A tentativa de aproximação gerou um impasse com os agentes responsáveis pela segurança presidencial. Imagens veiculadas pela imprensa captaram o instante em que um indígena levanta uma casaca — instrumento tradicional do Espírito Santo — e golpeia um dos seguranças.
Liderança indígena nega tentativa de atentado
Em declaração ao jornal A Gazeta, o líder indígena Jocelino Tupinikim rejeitou qualquer hipótese de agressão deliberada contra Lula.
– Não foi manifestação nem atentado à presidência. Houve apenas um impasse com a segurança. Não tinha relação com repactuação [do Novo Acordo de Mariana] e nunca houve intenção de atacar ninguém. Os jovens apenas queriam estar mais perto – afirmou.
Indígenas denunciam exclusão e desrespeito na organização
Representantes Tupinikim usaram as redes sociais para criticar a forma como foram tratados. A estudante Victoria Tupinikim relatou que a comunidade participou dos preparativos do evento desde 2025 e que compromissos firmados anteriormente não teriam sido honrados.
– Com a vinda do presidente da República, maior autoridade do nosso país, para nós era de grande importância recepcioná-lo. Sendo assim, entramos normalmente no auditório — e não invadimos. Todos estávamos credenciados, acompanhando o evento desde o primeiro dia – declarou.
Os indígenas também relataram que a segurança agiu com excesso de força, gerando empurra-empurra antes do tumulto generalizado.
Saímos da Teia com um sentimento profundo de indignação, repúdio e desrespeito. Fomos usados para divulgar o evento, para dar visibilidade, força e presença, mas quando chegou a hora da participação real, fomos colocados à margem – escreveram Samily Tupinikim e Nathalia Pego em uma publicação conjunta no Instagram.
Presenças no evento e apuração da Polícia Federal
Além de Lula e da primeira-dama Janja, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve presente na Teia Nacional de Pontos de Cultura, que aconteceu entre os dias 19 e 24 de maio.
A Polícia Federal divulgou nota oficial informando que “todas as medidas de polícia judiciária vêm sendo adotadas para a adequada apuração do caso, identificação e responsabilização dos envolvidos”.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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