O sistema constitucional está estruturado de forma a que o Poder Legislativo fiscalize o Poder Executivo, e também autorize ou proíba diversas ações do Governo. Isso vai da economia à agricultura, dos tributos aos gastos, do orçamento às emendas, das privatizações às reformas necessárias no País.
Eu entendo quando os Weintraub (e seus apoiadores) dizem que o fato de o Bolsonaro ter se aliado ao Centrão foi uma espécie de “traição” a um eleitorado que é unanime em não aceitar corrupção e corruptos no Governo. E a maioria dos deputados e senadores do Brasil estiveram, estão ou estarão envolvidos em escândalos de corrupção. É da natureza deles. E foram eleitos pelo povo, infelizmente.
Mas temos que separar atitudes como a do Lula, que deu ministérios de porteira fechada para partidos políticos roubarem à vontade, pagou mensalão para políticos votarem a favor do Governo – ou, pior, não fiscalizarem o Governo –, entregou as estatais nas mãos dos partidos políticos para que elas se tornassem cabides de empregos e antros de desvios, fraudes e corrupção, enfim, o Lula disse SIM ao Centrão e aos demais partidos políticos e LIDEROU, PERMITIU E ESTIMULOU a corrupção em troca de governabilidade. Obviamente que isso é inaceitável. Na era Lula/Dilma, os políticos governaram para si, não para o povo ou para o bem do País.
Por outro lado, Bolsonaro realmente se aproximou do Centrão para obter apoio político e conseguir governar, mas ele NÃO age como o Lula. Bolsonaro não paga mensalão, não entregou estatais e ministérios estratégicos nas mãos de partidos e políticos profissionais, não aceita nem estimula a corrupção e governa pensando no País e no povo. Infelizmente, os irmãos Weintraub e seus apoiadores repetem o mantra “Bolsonaro traiu seus eleitores e se vendeu para o Centrão” como se isso fosse uma espécie de volta à corrupção desenfreada da era Lula/Dilma, e não é.
Os deputados do Centrão recebem as emendas de valores para enviarem às suas bases eleitorais de acordo com as regras do orçamento, e o valor é carimbado para saúde, educação, infraestrutura e outras necessidades. Os deputados tentam, com isso, ficar bem com seus eleitores para serem reeleitos. Isso NÃO é corrupção. Bolsonaro não está dando dinheiro para políticos. O orçamento é que está, de acordo com as regras, direcionado para as emendas parlamentares, e isso atende a interesses de políticos.
Se lá na ponta, na chegada do dinheiro ao Estado ou Município, este valor for desviado por algum ato de corrupção dos deputados ou senadores em conluio com prefeitos e governadores, os culpados devem ser punidos. Bolsonaro não tem nada com isso, ele não está participando de corrupção nenhuma, em uma situação como esta.
Então, ficar repetindo que “se aliar com o Centrão é apoiar a corrupção” é, no mínimo, má-fé (ou “desinformação”, para usar um termo da moda). Sempre penso em como seria um Governo Federal com Abraham Weintraub como Presidente da República: se ele fizer como Presidente o que exige que Bolsonaro faça e o acusa sistematicamente de não fazer – o que seria a tal “traição” ao plano inicial que elegeu Bolsonaro – os resultados seriam catastróficos.
Na visão dos Weintraub na Presidência, o Centrão seria tratado como oposição (mesmo porque não aceitariam aprovar projetos do Governo sem receber nada em troca, como sempre); todos os esquerdistas seriam colocados para fora das estruturas governamentais e estatais (de reitores de universidades a funcionários dos ministérios, de juízes a funcionários de estatais, em todos os níveis); seria declarada guerra contra o Poder Judiciário, com a proposta de “meter essa corja de bandidos na cadeia” (não se sabe bem como isso poderia ser feito dentro do nosso sistema legal, ou se a proposta é a de ruptura com o sistema legal vigente); seriam nomeados para ministérios, estatais e cargos no Governo apenas aqueles que provassem, sem sombra de dúvida, que são totalmente alinhados com a ideologia de Direita; apenas projetos de interesse do Governo e dentro da visão dos Weintraub teriam apoio do Governo na sua tramitação no Congresso; nada seria dado a ninguém em hipótese nenhuma e todos deveriam ser alinhados ao Governo porque o Governo é bom e quer o melhor para o País e porque o Weintraub é presidente, e por aí vai.
A postura do Presidente Weintraub seria a de governar na marretada e de forma inflexível, jamais aceitando ou cedendo a nada que não estivesse dentro dos rigorosos critérios do Governo. Vocês creem, realmente, que governar assim é possível? Lembram-se que Bolsonaro tentou este caminho no começo do seu governo e ficou com pés e mãos amarrados? Sabem o que aconteceria se Weintraub fosse presidente no lugar de Bolsonaro? Ele não aprovaria nada no Congresso, os deputados e senadores só aprovariam "pautas-bomba” para arrebentar com o governo e esvaziar seu poder, ele enfrentaria uma CPI atrás da outra, o Judiciário soterraria o Governo com decisões que travariam suas ações e explodiriam seu orçamento, os funcionários públicos sabotariam sistematicamente o Governo, a vida de todos se tornaria um inferno e o Presidente Weintraub veria sua popularidade cair abaixo de zero, acabaria ou sendo retirado do Governo por um processo de impeachment ou se tornando um fantoche sem poder nem autoridade, que só fala sozinho, sorri e acena.
É isso. Criticar o Governo Bolsonaro e dizer como as coisas deveriam ser é muito fácil, principalmente para ser aplaudido pela claque. Só faltou combinar esse plano com a realidade do Brasil. E a realidade... Ah, essa danada! Ela NÃO se importa com o que a gente deseja...
Anderson Boulder
Fonte/Créditos: Anderson Boulder
Créditos (Imagem de capa): https://revistaforum.com.br/u/fotografias/m/2021/8/23/f960x540-68585_142660_0.png