Final do século XVII. Era primavera na Abadia dos Beneditinos em Haut Villiers, no distrito de Champagne, França.
O monge responsável pela cave, degustava os vinhos produzidos e engarrafados na colheita do último inverno, que fermentavam nas garrafas, quando percebeu algumas delas com grandes quantidades de bolhas. Ao provar o líquido, chamou os outros monges, com entusiasmo: “Venham rápido, irmãos, estou bebendo estrelas!”.
Esse monge era Don Pérignon e começava aí história mais borbulhante do mundo: a do Champagne.
O champagne é um vinho espumante, produzido pelo método tradicional (neste caso é chamado de método champenoise) com as uvas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier e na região de Champagne. Ainda que outros espumantes sejam produzidos seguindo as mesmas regras, a denominação é exclusiva para quem pertence a esta DOC (Denominação de Origem Controlada).
Resumindo: todo champagne é um espumante, nem todo espumante é um champagne.
No método tradicional, como o de Don Pérignon, um vinho branco seco sofre uma nova fermentação, agora na garrafa, depois de adicionado o que chamamos de licor de tirage (mistura de leveduras e açúcares escolhida pelo enólogo).
Essa segunda fermentação ocorre com as garrafas fechadas por tampas de metal (como as de cerveja) e com as bocas para baixo. Aqui encontraremos um outro nome famoso - as garrafas são acondicionadas em um móvel de madeira que as encaixa na posição correta. Este móvel, chamado Pupitri, foi criado por Barbie-Nicole Ponsardinela, a lendária Veuve Cliquot.
Ainda no pupitri, as garrafas passam pela remuage – são giradas 90° por dia. Esse processo, que dura semanas, faz com que as borras geradas durante a fermentação fiquem depositadas na boca da garrafa.
Ao final da fermentação, é feito o dégorgement - os gargalos são congelados, as garrafas abertas, e a própria pressão do vinho expele as borras. Como um pouco do líquido é perdido junto com as borras, as garrafas são completadas com o licor de dosagem (um dos segredos do enólogo) e recebe a rolha de cortiça definitiva.
Hoje temos outros métodos de produção de espumantes, outras uvas, outras combinações, outros terroirs.
Os espumantes brasileiros são grandes destaques no mundo e já foram premiados, inclusive, acima de champagnes.
Em tempos de reuniões, de brindes, de comemorações, o espumante dá o tom da festa.
E como o melhor dia para se beber um vinho é hoje, sozinho ou acompanhado, faça a festa – beba estrelas!
Sonia Marchesi