Otto von Bismarck tem uma frase crítica sobre o Judiciário: “Com leis ruins e juízes bons ainda é possível governar. Mas, com juízes ruins, as melhores leis não servem para nada”. Essa reflexão do estadista alemão mais importante do século XIX se encaixa no principal problema brasileiro. O protagonismo exagerado dos magistrados em um país com excesso de leis (regramento excessivo), inclusive da prolixa Constituição de 1988. A Carta foi produzida a toque de caixa em 20 meses, sob influência comprovada do sistema financeiro (que lucra com a rolagem permanente da impagável dívida pública, a favor do rentismo e em detrimento do trabalho e da produção). Maior ou igual que o lobby dos banqueiros, só os dos donos de cartórios (que uma recente decisão presidencial obriga a adotar serviços eletrônicos de registros públicos). Assim, propositalmente mal regulamentado e cuidadosamente manipulado por interesses da tecnoburocracia, o texto se tornou em uma arma na mão do “Poder Supremo” — que se colocou acima do Executivo, Legislativo e do próprio Judiciário.
Uma dica fundamental: o elemento disruptivo de hoje é a tecnologia. Toda a informação chega na ponta, via internet, mobilizando o cidadão que evolui de consumidor de passivo de notícias para um ativo aplicador de informações relevantes e úteis. Analisando e criticando, propondo e protestando, dentro da legalidade e com legitimidade, é que se criam as pré-condições culturais e históricas para as mudanças necessárias. O poder tirânico não aguenta o questionamento correto e a pressão popular organizada. O momento exige coragem, resiliência e sabedoria na luta permanente e responsável pela Liberdade. Ditadura, nunca mais! Nem civil, nem militar, nem togada!
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
Fonte/Créditos: https://jovempan.com.br/opiniao-jovem-pan/comentaristas/jorge-serrao/luta-pela-liberdade-2-como-superar-a-anarquia-legal-e-resgatar-o-estado-de-direito-no-brasil.html
Créditos (Imagem de capa): Ministros da Suprema Corte durante sessão no STF