Apesar de ainda não termos em todo o Brasil o fim da obrigatoriedade do uso das máscaras em toda e qualquer situação, a realidade é que acabou a obrigação das máscaras na imensa maioria dos lugares. Mas, e daí?
Foi na Eurásia. Uns dizem 6 mil anos atrás. Outros dizem 4,2 mil anos atrás. Na área que hoje é a Ucrânia e o Cazaquistão, o cavalo foi domesticado. O que nos interessa para esse texto é que faz tempo pra caramba.
E ao lado do ser humano, o cavalo foi sendo peça importante na nossa evolução. Modificou a forma de fazer guerra, presente em mitologias, tá lá o Centauro na grega (meio homem, meio cavalo), ajudou também na agricultura, nas conquistas, na diminuição de distâncias, na criação de vários serviços e na revolução industrial. Junto aos cavalos, os asnos também fizeram história. O "burrinho" foi domesticado simultaneamente aos cavalos. E da mesma forma, dividindo algumas funções com o cavalo, também seguiu ao nosso lado até os dias de hoje. Um é famoso pela velocidade, beleza, garbo e elegância. Já o outro pela força, resistência e pela teimosia de quando empaca.
Até pouco tempo, a doma do cavalo era feita "na marra". Depois veio a doma racional, a doma inteligente, sem violência, na base da confiança e dos sinais entre homem e animal. Sinal dos tempos, da evolução, da forma de ver o mundo e os animais. Um olhar "humanizado". O cavalo, animal fiel ao homem, o reconhece através desse método como líder, pega confiança e se torna fiel, prestativo e amigo, sem violência. Acredita no seu líder e a ele obedece.
Mesmo assim, para ser controlado e guiado, cabresto, freio e bridão são essenciais. São os "mecanismos de controle", independente do tipo de doma feita. Assim como antolhos, aquele "negocinho" que fica tampando os olhos dos cavalos para que ele não se assuste e não veja nada além aquilo que lhe é direcionado. Basicamente forçar o animal a ter foco. Um controle a mais para melhor eficiência.
"Acreditar que os animais não possuem os mesmos traços que os seres humanos é uma ideia equivocada. Pelo menos, no que diz respeito ao caráter e ao temperamento."
Diz o texto de uma revista especializada em animais. Pois é, uma verdade verdadeira.
Até os meados do século passado os povos no ocidente eram, apesar da estrutura social mais avançada do que em outras partes do mundo, arredios. Semelhante a um cavalo chucro. Difícil de serem domados, muitos sendo territorialistas tal qual um garanhão dominante que quer o plantel para si. Mas o mundo evoluiu e a "doma racional" tomou conta do ocidente. Líderes "cativantes", ou apresentados como cativantes, passaram a mudar o método de "doma da sociedade", estudando a melhor forma psicológica de se comunicar. Deste modo, a sociedade, assim como o cavalo, confiou e aceitou os seus líderes e seus direcionamentos.
Mas não importa, mesmo servil, "cabresto, freio e bridão" se fizeram necessários também ao povo. Afinal, um povo livre, "solto no pasto", não está pronto para servir. Um cabresto para dirigir, freio ou bridão para controlar o trote e, por fim, um antolhos para que só se veja aquilo que interessa. Forçando o povo a "olhar para frente". Vendido pelo discurso como o necessário para um "futuro ideal".
Eis que surge a pandemia do Covid e com ela todo show de horror que vivenciamos. Eis que surgem as máscaras do século XXI, "para a sua proteção". Desempenhando o papel de cabresto, de freio, bridão e de antolhos. Ainda podemos dizer que também desempenharam papel de cela, cangalha, ferradura e até de chicote.
Nos dias atuais, num abril de 2021, onde até a mídia que cisma em nos colocar antolhos já assumiu que a máscara comum, de paninho, de nada serve, ela aponta não só a idiotia de quem as usa, o popular "burro", mas também aponta o comportamento de manada de muitos. Independente da informação disponível, como cavalgaduras, seus usuários de hoje usam o símbolo maior do êxito no controle.
Ainda bem que somos livres e cada um faz o que quer da sua vida. E quem se orgulha em "ser burro" exibe sua bestialidade como se não houvesse amanhã (se não usar a tal máscara). Palmas pra eles, os burrões, bestas quadradas e etc. Ora, depois de tanta informação, só se sujeita a isso tudo quem não perdeu seus antolhos e não olha para os lados, abrindo seu horizonte e buscando outras informações. Somente aquele que aceita um belo dum cabresto lhe direcionando a ter opiniões e ações de acordo com o interesse de quem os guia.
Os cavalos que buscam se manter chucros e arredios não são revolucionários. Só dão valor à sua liberdade, ainda que relativa e restrita. Como um cavalo que não reconhece um líder que não o representa, mordem firmemente, dão coices e não aceitam qualquer um que tenta lhes impor um cabresto. Muito menos freios. Empacam na defesa de uma realidade que está sendo escondida.
Bom, eu gostaria de agradecer aos cavalos e aos burros pelos "serviços prestados". Sem eles a sociedade não conseguiria evoluir, a história mostra isso. Sem os atuais, não conseguiríamos perceber o tamanho do mal e do estrago que foi imposto a sociedade.
E desculpem-me aqueles que se sentirem ofendidos. Primeiro, professor Olavo sempre nos ensinou: " Devemos chamar as coisas e pessoas pelo o que elas efetivamente são". Além disso, não podemos esconder a realidade. E eu sinto muito se você está tomando atitudes com uma "cabeça de jerico". A realidade nunca é doce como as balinhas de côco ou a ração com melado que os burros e os cavalos tanto gostam.
Fonte/Créditos: Gustavo Reis
Créditos (Imagem de capa): creative commons